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Conseguiríamos enfrentar asteroide? Resposta da NASA preocupa

E se existisse um asteroide com 72% de chance de cair na Terra daqui a 14 anos? Este foi o cenário hipotético sobre o qual especialistas em asteroides, funcionários da NASA e autoridades federais se debruçaram num evento recentemente. E a conclusão do exercício coletivo de pensamento foi preocupante, para dizer o mínimo.

Especialistas simulam resposta humana a ameaças vindas do espaço

  • Um exercício simulado discutiu a resposta a um asteroide hipotético com 72% de chance de atingir a Terra em 14 anos. Embora a tecnologia para lidar com tal ameaça exista, obstáculos sociais, políticos e econômicos podem dificultar uma resposta eficaz;
  • Os cientistas estimaram o tamanho do asteroide entre 60 e 800 metros, com grandes incertezas nas suas propriedades e consequências do impacto. Outra preocupação: o asteroide não poderia ser observado por sete meses, por estar atrás do Sol;
  • Os participantes consideraram três opções: esperar por novas observações, lançar uma missão para coletar mais dados sobre o asteroide ou construir uma espaçonave internacional para alterar sua trajetória (a missão DART da NASA mostrou que isso é possível);
  • As discussões ressaltaram a dificuldade de obter financiamento para ações preventivas sem informações definitivas sobre o risco, e a necessidade de comunicar claramente as incertezas e a urgência de agir. A realidade do custo e a necessidade de equilibrar recursos para emergências imediatas, como tornados e furacões, também foram destacados.

Por um lado, teríamos tecnologia avançada suficiente para lidar com o asteroide. Por outro, questões sociais, políticas e econômicas atravancariam o processo. É o tipo de situação que te faz pensar sobre como a vida imita a arte. E vice-versa.

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Evento coloca especialistas e autoridades para discutir sobre como lidar com ameaças vindas do espaço (Imagem: Governo dos EUA)

É importante ressaltar a fala de Terik Daly, supervisor da seção de defesa planetária no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins:

Neste momento, não conhecemos nenhum asteroide de tamanho substancial que vá atingir a Terra nos próximos cem anos. Mas estamos cientes que não sabemos onde estão a maioria dos asteroides grandes o suficiente para causar devastação regional.

A ideia deste evento de defesa planetária, que está na quinta edição, é testar a capacidade humana de responder a ameaças vindas do espaço. A NASA publicou recentemente um resumo das discussões e conclusões que ocorreram ao longo do evento. A agência espacial também publicou um comunicado sobre a simulação.

Cabeças pensantes simulam como a Terra responderia à ameaça de um asteroide

Especialistas e autoridades em evento que se discutiu resposta da Terra à grande chance de colisão de um asteroide
Especialistas debateram sobre o que e como fariam para lidar com grande chance de colisão de um asteroide hipotético (Imagem: Ed Whitman /NASA/JHU-APL)

Desta vez, logo após a descoberta do asteroide fictício, os cientistas estimaram seu tamanho entre 60 e quase 800 metros de diâmetro. Os telescópios veriam tal asteroide apenas como um ponto de luz no espaço, diz Daly.

Ele continua: “Teríamos incertezas muito grandes nas propriedades do asteroide, e isso leva a incertezas muito grandes sobre quais seriam as consequências se ele atingisse o solo, bem como incertezas sobre o que seria necessário para impedir que o asteroide atingisse o solo.”

Além disso, este cenário específico estipulava que os cientistas não poderiam analisar a ameaça por sete meses, enquanto o asteroide passava por trás do Sol. Só depois disso os telescópios poderiam observar o asteroide novamente e fazer uma nova avaliação da sua trajetória.

Os participantes do exercício discutiram três opções:

  • Esperar e não fazer nada até as próximas observações do telescópio;
  • Iniciar uma missão espacial liderada pelos EUA para enviar uma espaçonave para obter mais informações sobre o asteroide;
  • Construir uma espaçonave, por meio de um esforço internacional, capaz de voar ao redor do asteroide e, quem sabe, mudar sua trajetória no espaço.

(Lembrando que esta foi a primeira edição do evento de defesa planetária desde a missão DART da NASA, que mostrou que colidir uma espaçonave num asteroide poderia mudar sua trajetória no espaço.)

Temos tecnologia para enfrentar asteroides, mas orçamento…

O asteroide ficou quase tão perto quanto a Lua (Crédito: buradaki/ shutterstock)
Asteroide da simulação teria entre 60 e 800 metros de diâmetro (Imagem: buradaki/Shutterstock)

Ao contrário das simulações de ameaça de asteroide anteriores, esta não teve um final dramático. “Na verdade, empacamos num momento do tempo durante o exercício”, diz Daly. Como resultado, os participantes tiveram bastante tempo para discutir como comunicar tanto as incertezas quanto a necessidade urgente de agir.

Eles também discutiram sobre como o financiamento e outras considerações práticas poderiam influenciar os processos de tomada de decisão nas agências federais e no Congresso.

Daly disse que em discussões anteriores, os especialistas técnicos tendiam a assumir que o acesso ao financiamento não seria um problema numa situação sem precedentes. Mas “a realidade é que o custo era uma preocupação e um fator.”

O relatório da NASA sobre o exercício observa que “muitos stakeholders expressaram que gostariam de obter o máximo de informações sobre o asteroide o mais rápido possível, mas expressaram ceticismo de que o financiamento seria obtido para obter tais informações sem conhecimento mais definitivo sobre o risco”.

Enquanto os representantes das instituições espaciais tinham uma clara preferência por agir rapidamente, “o que os líderes políticos realmente fariam?” disse Daly. “Essa foi uma questão em aberto que permaneceu durante todo o exercício.”

Leviticus “L.A.” Lewis, funcionário da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências designado para trabalhar com a NASA, observa que os gerentes de emergência teriam que pensar em dedicar recursos a essa ameaça aparentemente distante enquanto também respondem a perigos mais imediatos, como tornados e furacões. “Vai ser um desafio”, disse ele.

Olhar Digital

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