Política

Crivella ganha munição na campanha após ser poupado de processo do ‘QG da Propina’

Candidato ao Senado no Rio de Janeiro, o ex-prefeito carioca e atual deputado Marcelo Crivella (Republicanos) saiu vitorioso nesta quinta-feira, 27, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) no caso conhecido como “QG da Propina”. Os desembargadores rejeitaram a denúncia do Ministério Público e pouparam Crivella de um processo por corrupção e lavagem de dinheiro. Procurado por VEJA, o deputado disse que a decisão põe fim a uma série de acontecimentos que fizeram “tanto mal”. “Sou inocente”, garante. “Agradeço muito a Deus e aos juízes”.

O julgamento terminou em 4 a 3. O voto de desempate foi do desembargador Cláudio de Mello Tavares, presidente do TRE, que havia pedido mais tempo para analisar o processo. Além das implicações jurídicas, a decisão garante a Crivella uma resposta para questionamentos sobre o caso durante a campanha.

O inquérito tem relação com o período em que Crivella foi prefeito do Rio. Ele chegou a ser preso preventivamente em 2020, nove dias antes do término do mandato, mas transferências do processo entre instâncias e ramos do Judiciário atrasaram o desfecho. O ex-prefeito atribui a derrota nas eleições daquele ano, para Eduardo Paes (PSD), à repercussão da investigação.

A principal mágoa, no entanto, tem origem no campo pessoal. Trata-se da morte da mãe, Eris Bezerra Crivella, no período em que ele estava na prisão. “Sou filho único. Fui ao sepultamento escoltado não pude comprar sequer uma flor. Pena que minha não esteja viva para ver esse dia chegar”.

Continua após a publicidade

Em nota, os advogados Pedro Ivo Velloso, Marcio Vieira e Pedro Luís Camargo, que representam o deputado, disseram que o julgamento “faz justiça ao, finalmente, por fim a um processo marcado pela absoluta ausência de comprovação de graves acusações”. “Passados quase seis anos, o tribunal reconheceu justamente aquilo que a defesa sustenta desde o primeiro momento: as ilações lançadas contra Marcelo Crivella decorriam unicamente das palavras de delatores, sem qualquer credibilidade”, diz a manifestação.

Continua após a publicidade

A apuração sustentou que ao menos R$ 51 milhões teriam sido arrecadados em um suposto esquema de corrupção por meio de empresas de fachada em nome de laranjas com o conhecimento e para beneficiar Crivella. O ex-prefeito sempre negou envolvimento em desvios.

As investigações chegaram a deixar o deputado inelegível por abuso de poder político e econômico, mas uma decisão apertada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por 4 a 3, liberou o ex-prefeito para disputar a eleição neste ano.

Continua após a publicidade

Na última Genial/Quaest para o Senado no Rio, divulgada na terça-feira, Crivella apareceu com 6% das intenções de voto. Ele ficou atrás de Benedita da Silva (PT), que lidera com 10%, e de Carlos Jordy (PL), que marcou 7%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, há empate técnico entre os principais nomes da disputa pela segunda vaga.

Veja

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo