Datafolha: Aliados de Flávio esperam melhora após efeito Jaques Wagner; campanha de Lula minimiza

Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) avaliam que a diferença entre o senador e o presidente Lula (PT) em um possível segundo turno, medida na pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado (20), é superável com o início da campanha. Eles também esperam que os efeitos da operação da PF (Polícia Federal) contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), deflagrada na quinta-feira (18), melhorem o desempenho bolsonarista nos próximos levantamentos.
Pessoas próximas a Lula, por outro lado, minimizam possíveis impactos da operação contra Wagner sobre o presidente. Um ministro do governo afirma que a investigação contra o líder do governo no Senado não está ligada a Lula e não terá efeito comparável às revelações de um áudio de conversa entre Flávio e Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A última pesquisa Datafolha mostra que Lula segue em vantagem e marca 41% no primeiro turno, ante 31% de Flávio. A pesquisa foi feita entre quarta (17) e quinta (18) e captura apenas parcialmente os impactos da operação contra Wagner.
O resultado representa uma manutenção do cenário em comparação com a rodada anterior, feita após a revelação de que Flávio havia pedido dinheiro a Vorcaro para bancar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro (PL). O levantamento anterior marcou 40% para Lula e 31% para Flávio.
Na simulação de um segundo turno entre os dois candidatos, ambos repetiram o placar visto há um mês, de 47% para o petista e 43% para o bolsonarista, o que gera uma diferença de quatro pontos percentuais. Os brancos e nulos somam 8%, e 1% não sabe.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Para Sóstenes Cavalcante (PL-SP), líder do PL na Câmara, uma diferença de quatro pontos para “quem nem começou a campanha e foi fortemente atacado está muito bom”. Ele ressaltou que em 2022 as pesquisam indicavam que haveria uma diferença maior entre os votos de Lula e Jair Bolsonaro (PL) em comparação com o resultado final nas urnas.
Sóstenes diz que a manutenção do percentual de Flávio mostra que a repercussão do caso “Dark Horse” já atingiu seu limite. Ele avalia que o resultado “vai melhorar” quando o impacto total da operação contra Wagner for medido.
O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), também destacou o fato de a pesquisa não ter capturado o impacto total do caso envolvendo o petista.
Outro político do PL diz que a repetição do resultado de Flávio pode impactar na estratégia bolsonarista. A princípio, a campanha defendeu uma reação cautelosa à operação contra Wagner, pois não seria prudente apostar a eleição deste ano no caso Master diante da volatilidade do escândalo.
Agora, avalia que o desgaste a Flávio chegou ao limite e por isso seria possível investir mais na crítica ao PT pela ligação de Wagner com Vorcaro.
Já o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), diz que a pesquisa “consolida uma aprovação do presidente Lula” e mostra uma tendência de ascensão à medida em que sejam sentidos os resultados das ações do governo.
Ele considera que a trajetória política de Flávio no Rio de Janeiro, que inclui o caso da rachadinha, além da relação com Vorcaro, leva a sociedade a diferenciar os candidatos e gera o resultado positivo para Lula.
O deputado federal Jilmar Tatto (SP), que coordena o grupo de trabalho eleitoral do PT, também avalia que o Datafolha mostra que o presidente Lula se “consolida na dianteira” da disputa.
Reconhece, entretanto, que o levantamento indica que o desgaste a Flávio Bolsonaro desacelerou. “Mas, quando começar a campanha eleitoral, eu acho que ele vai se desgastar mais ainda [com o caso envolvendo o ex-banqueiro]”, afirmou.
“Não estamos numa zona de conforto, mas numa ‘tranquilidade vigiada’ para podermos seguir em frente e ganhar a eleição”, disse.
Para Tatto, a pesquisa também consolida o cenário de disputa entre Lula e Flávio no segundo turno. “A terceira via realmente não tem alternativa, não existe.”
Ouvido pela Folha sob reserva, um presidente de um partido de centrão discorda. Ele diz que o resultado da pesquisa indica que as ações do Flávio mostram que ele já perdeu a eleição e se tornou o melhor adversário para garantir uma vitória a Lula.
Ele defende que o centro, os partidos à direita e até o próprio PL, liderado por Valdemar Costa Neto, se reúnam para escolher um outro candidato e trocar Flávio por alguém que não tenha o sobrenome Bolsonaro.
Depois de Lula com 41% e de Flávio com 31% no primeiro turno, aparecem Ronaldo Caiado (PSD) com 3%, Renan Santos (Missão) com 3%, Romeu Zema (Novo) com 2%, Aécio Neves (PSDB) com 2%, Samara Martins (UP) com 2%, Augusto Cury (Avante) com 2%, Joaquim Barbosa (DC) com 1%, Cabo Daciolo (Mobiliza) com 1% e Rui Costa Pimenta (PCO) com 1%.
Folha de São Paulo



