Datafolha: Aumento de desconfiança no STF destoa de outras instituições

O aumento da desconfiança em relação ao STF (Supremo Tribunal Federal) é um ponto fora da curva na pesquisa Datafolha que avalia o índice de confiança do brasileiro nas instituições.
No caso de outras sete órgãos ou Poderes —Presidência, Congresso Nacional, partidos políticos, imprensa, Forças Armadas, Poder Judiciário e grandes empresas brasileiras—, o descrédito se manteve estável ou caiu em relação ao levantamento anterior, de março.
O Supremo é visto com desconfiança por 48% dos entrevistados: um recorde em meio à grave crise que atinge a corte. É o maior percentual desde o início da série histórica, em 2012.
Também é a primeira vez que a desconfiança supera numericamente a observada em outras três instituições que já alcançaram patamares superiores a 65%: a Presidência, o Congresso e os partidos políticos.
Entre os entrevistados, agora 42% afirmam desconfiar da Presidência, 45%, do Congresso, e outros 45%, dos partidos.
Na última semana, o plenário do Supremo protagonizou um embate entre ministros após a revelação, em relatório apresentado por André Mendonça, de que Alexandre de Moraes mantinha conversas suspeitas com o ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro.
O Datafolha ouviu 2.001 pessoas, em 125 municípios, de terça (15) a quinta-feira (17). O registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-04029/2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos. O levantamento foi encomendado pela Folha e pela TV Globo.
Consideradas as oito instituições abordadas pela pesquisa, a queda da desconfiança foi maior em relação aos partidos, passando de 52%, em março, para 45%. O mesmo índice já foi de 69% em junho de 2017, o máximo da série histórica.
Em relação ao levantamento anterior, o descrédito oscilou negativamente no caso da imprensa (36% para 33%), das grandes empresas brasileiras (26% para 23%) e das Forças Armadas (27% para 25%). Ele se manteve estável em relação à Presidência (de 43% para 42%).
Já no caso do Poder Judiciário como um todo, a oscilação da desconfiança foi positiva: agora 38% a manifestam, frente a 36% no levantamento anterior. Outros 43% afirmam confiar um pouco, e 17% dizem confiar muito.
Ao mesmo tempo, na comparação com a pesquisa de março, cresceu o índice dos que confiam muito no Congresso (de 5% para 11%), nos partidos (de 5% para 9%), na imprensa (de 15% para 22%), nas grandes empresas (de 20% para 29%) e nas Forças Armadas (de 26% para 34%).
O índice de alta confiança na imprensa aumenta conforme o avanço da idade: é de 14% entre jovens de 16 a 24 anos, de 20% na faixa intermediária, de 35 a 44 anos, e de 30% entre os mais velhos, com 60 anos ou mais. Outra tendência observada é que a confiança na imprensa diminui à medida que progride a escolaridade.
Folha de São Paulo



