De 1989 a 2026: quando a eleição para presidente terminou no primeiro turno

Ler Resumo
Desde a volta das eleições diretas para presidente da República, em 1989, apenas duas disputas terminaram no primeiro turno: as de 1994 e 1998. Nas duas ocasiões, Fernando Henrique Cardoso alcançou mais da metade dos votos válidos e dispensou uma segunda votação. Em todas as eleições presidenciais seguintes, de 2002 a 2022, foi necessário um segundo turno.
O primeiro turno da eleição de 2026 está marcado para 4 de outubro e, caso nenhum candidato alcance a maioria absoluta dos votos válidos, o segundo será realizado no dia 25 de outubro. O TSE confirmou 12 candidaturas à Presidência, entre elas as de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Quando uma eleição presidencial termina no primeiro turno?
A regra está prevista na Constituição: para ser eleito presidente já na primeira votação, o candidato precisa obter a maioria absoluta dos votos válidos, ou seja, mais de 50%. Votos brancos e nulos não entram nesse cálculo.
Se ninguém atingir esse patamar, os dois candidatos mais votados avançam para o segundo turno.
O que aconteceu em 1994 e 1998?
As duas únicas eleições do período decididas sem segundo turno tiveram Fernando Henrique Cardoso como vencedor.
Em 1994, FHC, então candidato pelo PSDB, recebeu 54,3% dos votos válidos. Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, ficou em segundo lugar, com 27%. Quatro anos depois, os dois voltaram a ocupar as primeiras posições: Fernando Henrique foi reeleito com 53,1%, enquanto Lula obteve 31,7%.
A eleição de 1998 permanece como a última disputa presidencial brasileira encerrada no primeiro turno.
Como foram as outras eleições desde a redemocratização?
Em 1989, primeira eleição direta para presidente depois do regime militar, Fernando Collor e Lula avançaram ao segundo turno. Collor havia obtido 30,5% dos votos válidos na primeira rodada, diante de 17,2% de Lula.
Depois das vitórias de Fernando Henrique no primeiro turno em 1994 e 1998, a segunda votação passou a ser necessária em todas as eleições.
Em 2002, Lula terminou o primeiro turno com 46,4%, contra 23,2% de José Serra, do PSDB. Os dois disputaram a rodada seguinte, vencida pelo petista. Em 2006, Lula buscava a reeleição e chegou ainda mais perto de resolver a disputa no primeiro turno: teve 48,6%, diante de 41,6% de Geraldo Alckmin, também do PSDB. A definição novamente ficou para o segundo turno.
Em 2010, a disputa presidencial entre Dilma Rousseff e José Serra também chegou à segunda votação. Dilma foi eleita e, quatro anos depois, voltou ao segundo turno, desta vez contra Aécio Neves. Na primeira rodada de 2014, ela obteve 41,59% dos votos válidos, enquanto o tucano recebeu 33,55%.
Em 2018, Jair Bolsonaro chegou mais perto da maioria absoluta no primeiro turno: recebeu 46,03% dos votos válidos, contra 29,28% de Fernando Haddad. Como não superou os 50%, os dois voltaram às urnas, e Bolsonaro foi eleito no segundo turno.
A eleição de 2022 repetiu o padrão. Lula obteve 48,43% no primeiro turno e Bolsonaro, 43,20%. A disputa foi decidida na segunda votação, quando Lula recebeu 50,9% dos votos válidos e Bolsonaro, 49,1%.
O que 2026 tem em comum com as disputas anteriores?
A regra permanece exatamente a mesma: qualquer uma das 12 candidaturas registradas poderá encerrar a eleição em 4 de outubro se ultrapassar a metade dos votos válidos. Caso isso não ocorra, os dois nomes mais votados disputarão o segundo turno três semanas depois.
Entre os candidatos registrados estão Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury, Renan Santos, Wilson Grassi, Rui Costa Pimenta, Samara Martins, Hertz Dias, Edmilson Costa e Clariana Barão.
Veja



