Debate ao Senado no DF tem ausência de três candidatas e defesa do fim da escala 6×1

O debate entre candidatos ao Senado pelo Distrito Federal, realizado pelo Metrópoles na noite desta quinta-feira (24), foi marcado pela falta de três candidatas, por críticas ao governo do Distrito Federal e por discussões sobre o Fundo Constitucional, o Banco de Brasília (BRB), direitos das mulheres e a escala 6×1. Participaram Erika Kokay (PT), Guto Felício (PSDB), Marley Alves (Avante), Ronaldo Fonseca (PSD) e Sebastião Coelho (Novo). Michelle Bolsonaro (PL), Bia Kicis (PL) e Leila do Vôlei (PDT) foram convidadas, mas não compareceram.
O encontro teve quatro etapas: apresentação, dois blocos de perguntas e considerações finais. Os pedidos de direito de resposta foram analisados por uma comissão presidida pelo desembargador Roberval Belinati, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).
Durante o debate, Erika Kokay afirmou que gostaria de questionar Bia Kicis sobre a igualdade salarial entre homens e mulheres. A candidata também criticou a posição de Bia em relação à criminalização da misoginia. “Eu gostaria que a deputada Bia estivesse aqui para que ela pudesse me responder porque ela votou contra a igualdade salarial entre homens e mulheres, por que ela é contra criminalizar a misoginia, que é o ódio contra as mulheres que, em verdade, alimenta toda sorte de violência”, declarou.
Erika também questionou a escolha de familiares como suplentes nas chapas de Bia Kicis e Michelle Bolsonaro. Bia registrou o filho, Samuel Kicis de Sordi, como primeiro suplente, enquanto Michelle indicou o irmão, Diego Torres Dourado, para a mesma posição.
“A população não sabe quem é o filho de Bia ou quem é o irmão da Michelle Bolsonaro e nós precisamos ter transparência, precisamos entender que orçamento público não pode resolver problemas de orçamento doméstico, que nós precisamos que a população saiba exatamente quem vai ocupar a condição de senador ou senadora na nossa cidade, no nosso país”, afirmou.
Escala 6×1, Fundo Constitucional e BRB
A escala 6×1 foi uma das principais bandeiras defendidas por Erika durante o debate. A candidata defendeu a redução da jornada e relacionou o tema ao direito dos trabalhadores ao descanso e ao convívio familiar.
“Eu tenho uma concepção de que as pessoas produzem melhor quando estão felizes, felicidade gera produtividade e tem uma concepção de que o tempo das pessoas tem que pertencer a elas. O direito à vida, por isso tenho a convicção de que o Brasil dará uma resposta para a classe trabalhadora para acolher os seus interesses, derrubando a escala 6×1”, declarou.

O Fundo Constitucional do Distrito Federal também entrou na discussão. Ronaldo Fonseca perguntou a Marley Alves como ele reagiria caso chegasse ao Congresso uma proposta do Executivo para alterar o Fundo Constitucional. Marley defendeu a manutenção dos recursos e afirmou que o fundo é “inegociável”.
Na réplica, Ronaldo afirmou que o Executivo havia enviado ao Congresso uma lei complementar com um “jabuti” para alterar o índice de correção do Fundo e que a mudança faria o Distrito Federal perder mais de R$ 1 bilhão por ano.
Erika Kokay pediu direito de resposta e contestou a atribuição da proposta ao governo federal. “Não foi o governo federal que trouxe a proposta de mexer na receita corrente líquida para impactar com o Fundo Constitucional […] Eu tenho absoluta certeza de que o deputado Ronaldo não queria atentar contra a verdade, mas eu também queria deixar claro que o Fundo Constitucional no governo anterior era por volta de R$ 16 bilhões hoje são R$ 28 bilhões”, rebateu a candidata.
O Banco de Brasília (BRB) também foi tema de uma das intervenções de Erika durante o debate. Ao falar sobre a crise envolvendo a instituição e o Banco Master, a candidata classificou as operações como um “crime” e defendeu a responsabilização dos envolvidos. “Eu penso que o que foi feito contra o BRB e contra Brasília é um verdadeiro crime, e essas pessoas que cometeram esses crimes têm que devolver o que roubaram: o Banco de Brasília, um banco sólido que foi saqueado”, criticou.
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