Debate no Rio: frente a frente pela 1ª vez, Paes e Ruas exploram ‘fantasmas’ do rival

O ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Douglas Ruas (PL), candidatos mais bem posicionados ao governo fluminense, segundo as pesquisas de intenção de voto, ficaram frente a frente pela primeira vez desde o início da campanha nesta terça-feira, 29, no debate da TV Globo. Os dois adotaram estratégias semelhantes: buscaram expôr “fantasmas” incômodos do adversário. Terceiro no páreo, o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) voltou os canhões a ambos, em uma tentativa de faturar parte de seus votos.
O candidato do PL buscou converter a curta biografia política – é deputado estadual de primeiro mandato, antes disso foi secretário estadual das Cidades e secretário municipal de Gestão Integrada e Projetos Especiais em São Gonçalo, cidade comandada pelo pai – em ativo eleitoral ao se apresentar como mudança e renovação em contraponto à “velha política” fluminense. Também procurou fortalecer, nesta reta final, a vinculação com a família Bolsonaro e com temas caros ao campo político, como as escolas cívico-militares, para tentar alavancar a campanha a reboque do bolsonarismo.
Outra aposta de Douglas Ruas foi nacionalizar a campanha para tentar transferir a rejeição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Paes, que tem o apoio do petista. Lula perdeu para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Rio de Janeiro em 2022 e aparece atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas deste ano. O deputado acusou o rival de esconder o padrinho político para não ser prejudicado.
O ex-prefeito subiu o tom contra o adversário, especialmente ao associá-lo ao grupo político do ex-governador Cláudio Castro (PL), na mira da Polícia Federal em dois inquéritos de corrupção, e do ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), preso por suspeita de obstruir uma investigação sobre o Comando Vermelho, como já tem feito nas propagandas eleitorais. Paes tenta neutralizar a estratégia de Douglas Ruas de se desvincular dos antigos aliados enrolados com a Justiça. Também levantou suspeitas sobre as relações da empreiteira do deputado com obras públicas em São Gonçalo. “A única coisa que ele fez durante esse tempo na política foi ficar milionário”, atacou.
O pessedista também explorou a seu favor a crise de imagem que atinge a Assembleia Legislativa do Rio, que teve três deputados presos desde dezembro do ano passado. Ruas comanda a Alerj desde abril. “Atenção Alerj: vai acabar a festa”, bradou Paes ao chamar a Casa Legislativa de “máfia”. Ele ainda procurou usar a experiência como gestor como argumento de autoridade. A única referência espontânea ao presidente Lula foi feita quando abordou os investimentos no aeroporto do Galeão.
Com a candidatura barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral em decorrência de uma condenação por improbidade administrativa, Garotinho faz campanha sem saber se seus votos serão contados ou não. Ele vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar se salvar. O ex-governador se apresentou como candidato “antissistema” e demonstrou ser o mais confortável diante das câmeras. Os candidatos foram autorizados a se movimentar livremente no estúdio e ele foi quem melhor explorou o formato, rodeando os adversários durante suas respostas.
Também participaram William Siri (PSOL), que em suas intervenções não poupou ataques a Flávio Bolsonaro, e André Marinho (Novo), que horas antes do debate conseguiu uma decisão liminar do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, garantindo a presença dele. O candidato do PSOL concentrou as críticas em Douglas Ruas e lembrou o escândalo do Rioprevidência, o fundo de aposentadorias dos servidores estaduais, que na gestão de Cláudio Castro investiu R$ 3 bilhões em fundos ligados ao Banco Master.
No primeiro bloco, os candidatos responderam sobre cinco temas sorteados – transporte público, emprego, saneamento, dívida pública e educação. O segundo e o quarto blocos foram de tema livre. O terceiro bloco foi dedicado a perguntas relacionadas às regiões do estado.
Paes não compareceu ao debate anterior, organizado pela Band, e participou apenas de entrevistas e sabatinas individualmente. Os candidatos fizeram uma preparação intensa nos últimos dias e abriram mão das agendas na rua nesta terça para se dedicar aos ensaios finais.
Embora se mantenha como favorito nos levantamentos recentes, o ex-prefeito tem visto a distância para Douglas Ruas encurtar conforme o primeiro turno se aproxima. O crescimento era esperado com o início da propaganda eleitoral. Com a plataforma, o deputado, que no início da campanha era amplamente desconhecido da maioria do eleitorado fluminense, conseguiu se apresentar como candidato do bolsonarismo. Ruas ainda não alcançou, no entanto, patamares semelhantes ao de Flávio Bolsonaro, que lidera as pesquisas no Rio, berço político de sua família.
Na rodada mais recente, divulgada nesta terça pela Quaest, Paes tem 34% das intenções de voto no primeiro turno e Ruas aparece com 25%. Garotinho surge na sequência com 9%. William Siri tem 1% e André Marinho não pontuou.
Veja abaixo algumas propostas apresentadas pelos candidatos durante o debate:
- Eduardo Paes: reunificar a Secretaria de Segurança Pública, construir a Linha 3 do Metrô, triplicar o ensino técnico profissionalizante;
- Douglas Ruas: construir escolas cívico-militares, políticas integradas de proteção às mulheres, ampliar o respaldo a policiais militares em operações;
- Anthony Garotinho: reestatizar a Ceade, criar o “Bope 2.0” para recuperar áreas dominadas pelo crime, construir hospitais especializados fora da capital, aerobarcos;
- William Siri: reestatizar os trens e a Cedae, construir complexos produtivos, fortalecer as Faetecs, educação integral;
- André Marinho: recuperar áreas dominadas pelo crime, remunerar os professores segundo o piso nacional do magistério.
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