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Demis Hassabis deixa cargo de CEO do Google DeepMind para focar em estudo dos rumos e riscos da IA

Demis Hassabis deixou o cargo de CEO do Google DeepMind em meio a uma reestruturação de um dos laboratórios de inteligência artificial mais influentes do mundo.

Hassabis se tornará presidente do conselho do DeepMind e também assumirá o cargo de cientista-chefe da Alphabet, controladora do Google, anunciou a empresa nesta quarta-feira (5).

O ex-braço direito de Hassabis, Koray Kavukcuoglu, liderará o DeepMind, grupo sediado em Londres cujo trabalho resultou em um Prêmio Nobel de Química, e ocupará o cargo de vice-presidente sênior do Google DeepMind. As mudanças indicam que o laboratório será incorporado às operações mais amplas do Google.

O atual cientista-chefe e funcionário de longa data do Google, Jeff Dean, está deixando o grupo para fundar sua própria startup, que contará com o apoio do Google.

As ações do Google caíram 5% após o anúncio. O gigante das buscas adquiriu o DeepMind em 2014 por 400 milhões de libras, em uma aposta no futuro da IA.

O laboratório, fundado por Hassabis há 16 anos, foi pioneiro no desenvolvimento da tecnologia moderna de IA, incluindo a criação do AlphaGo, primeiro sistema de IA a derrotar especialistas humanos no jogo de tabuleiro Go, e do AlphaFold, projeto vencedor do Prêmio Nobel voltado à previsão das estruturas de proteínas.

Embora o Google estivesse bem posicionado para dominar a corrida pela criação de sistemas poderosos de IA, ficou atrás dos laboratórios OpenAI e Anthropic, mais jovens e com menos recursos, sobretudo no desenvolvimento de agentes de IA para programação.

Nos últimos meses, a empresa reformulou sua estratégia de pesquisa, desmantelando a equipe vencedora do Prêmio Nobel e distribuindo seus talentos entre divisões voltadas ao Gemini, o grande modelo de linguagem do Google.

Também montou uma equipe interna chamada “Code Strike”, encarregada de aprimorar os recursos de IA da empresa para programação, enquanto busca alcançar a Anthropic e a OpenAI. Nesse intervalo, o Google DeepMind perdeu vários de seus pesquisadores de IA de maior destaque, entre eles David Silver e John Jumper.

Hassabis disse aos funcionários que estava se afastando da gestão cotidiana para se concentrar no “panorama geral” e influenciar os rumos de uma AGI (inteligência artificial geral) cada vez mais poderosa.

“Chegamos a um momento crucial da história humana. Trabalhei em busca da AGI durante toda a minha vida e agora, como muitos de vocês, sinto que ela está próxima“, afirmou. “É fundamental que, coletivamente, acertemos os próximos passos, para garantir que tudo isso dê certo para a humanidade e que possamos inaugurar uma nova e extraordinária era de descobertas e maravilhas.”

A decisão de Hassabis de deixar o cargo não foi repentina, segundo uma pessoa a par do assunto. Hassabis quer se dedicar às questões mais amplas sobre as implicações da AGI, inclusive liderando trabalhos para moldar futuras regulamentações de IA. Assumir a presidência do conselho lhe daria mais espaço para refletir sobre essas questões, em vez de se concentrar nas operações cotidianas, disse a fonte.

A pessoa acrescentou que, embora o Google DeepMind não estivesse se tornando uma operação puramente comercial, estava aprofundando sua integração aos negócios do Google.

Hassabis, que foi uma criança prodígio do xadrez, tem se concentrado cada vez mais nos possíveis impactos da IA avançada sobre a sociedade.

No mês passado, ele esboçou uma proposta para a criação de um órgão de definição de padrões para IA, liderado pelo setor e inspirado na Autoridade Reguladora do Setor Financeiro dos Estados Unidos, que poderia mitigar alguns dos riscos apresentados pelos modelos de fronteira.

O CEO da Alphabet, Sundar Pichai, afirmou nesta quarta que ele e Hassabis discutiam havia muito tempo “uma função que lhe permitisse dedicar toda a atenção a moldar ativamente o futuro da AGI”.

Hassabis foi fundamental nos esforços do Google para competir com a OpenAI e a Anthropic nos últimos três anos. Pesquisas do Google lançaram as bases para o boom da IA, mas as concorrentes se anteciparam na comercialização da tecnologia.

“Demis já desempenhava havia algum tempo o papel de estadista da IA, e Koray já comandava havia algum tempo as pesquisas do Google DeepMind. Portanto, trata-se da formalização de algo que já vinha acontecendo”, disse Sebastian Mallaby, autor de “The Infinity Machine”, biografia de Hassabis.

“A missão do DeepMind sempre foi resolver a AGI e depois usá-la para resolver todo o resto. A parte de resolver a AGI está praticamente concluída. Portanto, faz sentido que Demis esteja redirecionando sua energia da ciência para o impacto social.”

Folha de São Paulo

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