Política

Deputado da oposição aciona a Comissão Interamericana por Ilha do Marajó

O deputado federal Messias Donato (Republicanos-ES) pediu à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) que cobre um posicionamento do governo Lula sobre a exploração sexual infantil na Ilha de Marajó, no Pará. Solicitou, ainda, que o Estado brasileiro seja instado a apresentar um plano de ação.

O parlamentar critica a atuação do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, que pediu à AGU (Advocacia-Geral da União) a tomada de providências contra uma suposta atuação orquestrada para a disseminação de notícias falsas sobre o arquipélago. O caso já é analisado pelo órgão.

“O ministro da referida pasta, Silvio Almeida, anunciou que, ao invés de atuar para investigar as denúncias e coibir os possíveis casos, irá acionar a AGU (Advocacia-Geral da União) para investigar supostas ‘mentiras’ sobre os abusos”, relata o deputado à CIDH.

“Diante de tamanho desprezo à vida humana e ao absurdo anunciado pelas respectivas autoridades do governo federal, torna-se ainda mais urgente que o tema seja internacionalmente conhecido e que os órgãos de defesa dos direitos humanos se manifestem com absoluta urgência em nome das vítimas”, segue.

A região voltou ao noticiário na semana passada após a cantora Aymêe viralizar com a música “Evangelho de Fariseus”, que aborda violações de direitos humanos no arquipélago. Diversos influenciadores digitais e personalidades se mobilizaram em torno do tema, compartilhando vídeos e postagens em suas redes.

Autoridades e defensores dos direitos humanos, por outro lado, passaram a questionar a origem da movimentação simultânea e a apontar o que seria uma exotização de Marajó. No ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) chegou a ajuizar uma ação contra a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) por difundir informações “falsas e sensacionalistas” sobre a região.

Entre autoridades, é consenso que os abusos contra crianças e adolescentes existem e são um dos problemas mais graves no arquipélago. Marajó registrou 550 crimes praticados contra crianças e adolescentes em 2022, sendo que 407 deles eram estupros de vulnerável, afirmou o Ministério Público do Pará à organização de checagem Aos Fatos.

Por meio de suas redes sociais, o ministro dos Direitos Humanos, Slivio Almeida, afirmou que Marajó merece respeito. “Devemos rechaçar os oportunistas que nunca fizeram nada por Marajó, mas que sempre tentam usar a imagem da população marajoara e da importante causa da proteção de crianças e adolescentes em benefício próprio”, escreveu o chefe da pasta.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, também se manifestou após determinar que a AGU atue para identificar uma suposta rede de desinformação.

“Os marajoaras merecem respeito e um tratamento digno de todo o poder público. O governo federal está empenhado em apurar denúncias sérias para desarticular redes de tráfico humano e exploração sexual e infantil em todo o território nacional. Protejamos as nossas crianças sem a propulsão de notícias falsas”, disse Jorge Messias.

com BIANKA VIEIRA, KARINA MATIAS e MANOELLA SMITH

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Folha de São Paulo

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