Deputados do Psol no RJ veem tentativa de silenciamento, após presidente da Alerj anunciar mudança na presidência de comissões

O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL), afirmou, durante reunião do Colégio de Líderes realizada na terça-feira (9), que irá modificar a distribuição das presidências das comissões permanentes da Casa com base no número de parlamentares de cada partido. A medida pode resultar na saída de Flávio Serafini (Psol) da Comissão de Servidores Públicos, de Renata Souza (Psol) da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e de Dani Monteiro (Psol) da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania.
“Eles disseram explicitamente que o Psol vinha fazendo enfrentamentos ao PL e à direita, gerando desgastes. Estão tentando nos silenciar e nos perseguir”, afirmou o deputado Flávio Serafini (Psol).
De acordo com o jornal Tempo Real, as presidências dessas comissões seriam destinadas aos deputados Renan Jordy (PL), Sarah Poncio (Solidariedade) e Alexandre Knoploch (PL). Em nota enviada à reportagem, a Alerj não respondeu sobre a previsão das mudanças e limitou-se a informar que “modificações nas composições das comissões e demais colegiados são oficializadas somente após publicação no Diário Oficial”.
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“Essa retirada da Presidência da Comissão da Mulher ocorre em circunstâncias muito graves, porque foi anunciado que o posto será assumido por alguém do campo bolsonarista. Foi esse mesmo campo que engavetou meu pedido de instalação da CPI do Feminicídio, mesmo diante das estatísticas alarmantes e da coleta das assinaturas necessárias. Essa medida representa uma notória retaliação a uma atuação consistente, intensa e extremamente incômoda para a extrema direita”, declarou a líder da bancada do Psol na Alerj, deputada Renata Souza, ao Brasil de Fato. Ela ocupa o cargo desde 2023.
Recentemente, a parlamentar protocolou uma representação contra o deputado Rodrigo Amorim (PL) por violência política de gênero na Alerj. Além disso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou ao deputado um pedido para interromper a investigação sobre o caso, que segue em andamento. Também na última semana, Flávio Serafini intensificou as denúncias sobre o escândalo envolvendo o Banco Master, o CredCesta e o superendividamento de servidores públicos estaduais.
Em nota, a deputada estadual Dani Monteiro (Psol) também manifestou preocupação com as possíveis mudanças nas presidências das comissões permanentes da Alerj. Monteiro preside a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania há cinco anos, período em que realizou mais de dois mil atendimentos a famílias vítimas de violações de direitos.



