Saúde

DF receberá 11 tendas de acolhimento para pacientes com dengue

O Distrito Federal receberá 11 tendas de acolhimento a pacientes com sintomas de dengue a partir desta segunda-feira (1º). As estruturas têm o objetivo de desafogar outras unidades de saúde. Já há nove tendas na unidade administrativa.

A instalação, iniciada nesta segunda, será concluída em até 20 dias. De acordo com a Secretaria de Saúde do DF, o contrato com a empresa vencedora do edital, a Santa Casa de Misericórdia de Oliveira de Campinhos, foi assinado na última quarta-feira (27).

As novas tendas terão uma equipe de 54 profissionais de saúde, com áreas de recepção, triagem, consultório, hidratação e enfermagem.

O Distrito Federal é a unidade da federação com a maior taxa de incidência de dengue e número de mortes pela doença no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. O coeficiente de incidência da doença chega a uma média de 6.751 por 100 mil habitantes.

Segundo o médico infectologista José David Urbaez Brito, presidente da Sociedade de Infectologia do DF, para que tenham impacto positivo, as novas tendas devem ser diferentes das atuais, as quais considera que são precárias e sem infraestrutura adequada.

“O sistema tem que ter funcionamento de recursos humanos correto e tem que chegar no tempo certo. As tendas eram mais necessárias em dezembro, quando os casos começaram a subir exponencialmente. As nove hoje são absolutamente deficitárias, sem equipe suficiente. Estão sendo respostas de baixíssimo impacto para a população”, diz.

De acordo com a Secretaria de Saúde, as tendas funcionarão com equipes mínimas, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, técnicos de laboratório, apoio administrativo, farmacêuticos, pessoal de limpeza e segurança.



A doença acaba acometendo populações em maior vulnerabilidade, mais uma vez a determinação social da doença. As vítimas também são as vítimas da miséria, da pobreza, do desemprego, de falta de educação e de moradia

No início de fevereiro, a Força Aérea Brasileira montou um hospital de campanha no DF para fazer frente à crise sanitária. Ao visitar o local de instalação na época, a Folha presenciou pessoas que buscavam atendimento desmaiadas e em cadeiras de rodas, além de paciente com máscara de oxigênio sendo transferida para ambulância do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

A unidade federativa registra 177.348 casos prováveis da doença, segundo o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde na última segunda-feira (25). O número representa um aumento de 1.625,8% em relação ao mesmo período de 2023, quando foram registrados 10.276 casos prováveis da doença na capital federal.

Até a última segunda, 188 pessoas haviam morrido da doença e 45 óbitos estavam em investigação.

Do total de casos, 4.286 eram de dengue com sinais de alarme –quando a febre cessa, mas o paciente continua a apresentar dor abdominal, vômito ou sangramento de mucosas— e 211, de casos graves — quando o paciente apresenta deficiência respiratória, sangramento intenso ou comprometimento grave de órgãos.

Os dados do Ministério da Saúde diferem dos disponibilizados pelo governo local. Segundo o painel de monitoramento nacional, atualizado nesta segunda-feira (1º), são 187 mortes e 67 óbitos investigados. Além disso, há 190.192 casos prováveis.

O cenário, de acordo com o vice-presidente da Sociedade de Infectologia do DF e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia Alexandre Cunha é de hospitais cheios e emergências, inclusive na rede privada, com cinco horas de espera para atendimentos, devido aos casos de dengue. A situação estava ainda pior há algumas semanas, diz.

Ele relaciona a alta de casos aos poucos casos de dengue registrados na capital nos últimos dois anos.

“Isso é um ciclo da doença. Há uma proteção transitória que a infecção dá durante dois anos para os quatro sorotipos da dengue. Temos muitas pessoas que foram previamente expostas, estavam temporariamente imunes e perderam a proteção para três sorotipos e só mantiveram para o tipo o qual foram infectados. Essa exposição pode desencadear casos mais graves, como estamos vendo agora”, afirma.

Para Cunha, medidas como a estruturação de tendas são bem-vindas, contanto que haja uma infraestrutura mínima para elas. “Parece uma medida muito fácil, mas esses pacientes têm que ter adequadamente monitorados, para saber quais precisam ser internados, os quais só precisam de uma hidratação rápida e podem retornar para casa. É preciso treinamento de equipe médica e estrutura para monitorar”, diz.

O Brasil enfrenta uma epidemia de dengue e já ultrapassa a marca de 2,5 milhões de casos prováveis de dengue e 923 mortes pela doença, com um coeficiente de incidência de 1.267 casos por 100 mil habitantes.

O coeficiente de incidência (INC), critério do MS para classificar a doença em relação à população, permite determinar em quais áreas há maior ou menor incidência dela. Quanto maior o INC, maior a transmissão.

Ao menos oito estados e o DF já decretaram epidemia. A OMS (Organização Mundial de Saúde) considera que taxas acima de 300 casos por 100 mil habitantes indicam uma situação epidêmica.

De acordo com a Secretaria de Saúde, apesar do DF ter alcançado um patamar estável no número de casos de dengue, não há previsão para encerrar o estado de emergência decretado em janeiro deste ano.

Informação

Folha de São Paulo

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