Política

Do estado ao Planalto: o peso das disputas estaduais

Sete estados, que respondem por 16% do eleitorado, terão segundo turno para governador. Neles, os candidatos continuam em campanha, pedindo votos e mobilizando eleitores. Nos demais, a disputa já foi encerrada. Que diferença isso pode fazer no voto para presidente?

Para responder à pergunta, usamos dados do CepespData e comparamos eleições em que o candidato mais votado para governador ficou pouco acima ou pouco abaixo dos 50% necessários para vencer no primeiro turno. Assim, aproximamos casos muito semelhantes, separados pela realização ou não do segundo turno.

Das 162 eleições estaduais de 2002 a 2022, 68 tiveram o candidato mais votado a menos de cinco pontos percentuais dos 50%. No geral, o segundo turno para governador quase não alterou o desempenho dos presidenciáveis nesses locais entre os dois turnos.

O quadro muda nas disputas estaduais nacionalizadas, aquelas em que o PT ou o partido de seu adversário na corrida presidencial —PSDB até 2014, PSL em 2018 e PL em 2022— está entre os dois candidatos mais votados para governador.

Nesses casos, o segundo turno estadual fez o presidenciável petista crescer menos na reta final. Sua fatia dos votos dos dois finalistas cresceu três pontos percentuais a menos do que nos estados sem segundo turno. É como se, em vez de ir de 48% para 53%, o candidato petista à Presidência chegasse só a 50%.

Uma possível explicação está na força mobilizadora do antipetismo. Quando a disputa para governador ganha contornos nacionais, o antipetismo pode ser ativado justamente quando o eleitor também decide seu voto para presidente.

Até hoje, essa dinâmica não alterou o vencedor. Mas pesou nas duas disputas mais apertadas. Em 2014, quando Dilma Rousseff venceu Aécio Neves por cerca de 3,5 milhões de votos, um segundo turno estadual nacionalizado em Minas Gerais —Fernando Pimentel venceu no primeiro turno com 53%— poderia ter custado cerca de 600 mil votos.

Da mesma forma, em 2022, não ter resolvido a eleição na Bahia no primeiro turno pode ter custado a Lula aproximadamente 500 mil votos, que teriam aumentado a vantagem de 2,1 milhões sobre Jair Bolsonaro.

O resultado não parece decorrer de mudanças no comparecimento. O segundo turno estadual reduz um pouco a abstenção, mas aumenta os votos brancos e nulos, sobretudo nas disputas não nacionalizadas. No fim, o total dos votos válidos quase não muda.

O efeito sobre a votação de candidatos presidenciais do PT tampouco se concentra em zonas eleitorais onde eles tiveram votação especialmente baixa ou alta no primeiro turno nem naquelas com maior votação em candidatos que não passaram ao segundo turno.

O resultado pede cautela. A análise olha para o passado e não pretende prever o resultado de 25 de outubro. Apesar de frequentes, as disputas para governador decididas por margem estreita são relativamente poucas, o que limita conclusões mais gerais.

Ainda assim, em uma eleição presidencial decidida por poucos milhões de votos, a disputa pelo governo de estados populosos pode pesar, e não necessariamente devido à abstenção.


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Folha de São Paulo

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