Política

Eduardo Bolsonaro, nos EUA desde 2025, é demitido da PF por abandono de cargo

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, demitiu nesta segunda-feira (21) o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mora nos Estados Unidos desde o ano passado, do posto de escrivão da Polícia Federal por abandono de cargo.

Eduardo Bolsonaro deixou o Brasil no primeiro semestre de 2025 e se mudou para os Estados Unidos. Lá, ele trabalha para jogar o governo do país contra a gestão Lula (PT). Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ele teve o mandato de deputado federal cassado em dezembro do ano passado.

A decisão afirma que Eduardo faltou ao serviço de forma injustificada por período superior a 30 dias consecutivos. A demissão foi publicada no Diário Oficial da União e tem como fundamento a Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis, aplicada à carreira da PF.

O ato é resultado de um processo administrativo disciplinar aberto pela Polícia Federal em janeiro deste ano. A corporação investigava Eduardo por indícios de abandono de cargo depois que ele deixou de se apresentar para reassumir suas funções como escrivão.

Em julho, a Folha revelou que a PF havia concluído o processo administrativo e decidido pela demissão. O procedimento foi então encaminhado ao Ministério da Justiça para a formalização da medida.

O argumento para a demissão de Eduardo Bolsonaro foi que, sem mandato de deputado federal, ele precisaria voltar a trabalhar no posto de escrivão, o que não aconteceu. No processo que culminou na demissão, o corregedor regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro também determinou que Eduardo entregasse a carteira funcional e a arma.

A cassação do ex-deputado na Câmara foi por excesso de faltas. A Constituição estabelece em seu artigo 55 que perderá o mandato o deputado ou o senador que faltar a um terço das sessões ordinárias do ano, salvo licença ou missão oficial.

Além de cassado e demitido, o ex-deputado também já foi condenado no STF (Supremo Tribunal Federal).

Em junho, a Primeira Turma do Supremo o condenou por unanimidade a quatro anos e dois meses de prisão em regime inicialmente semiaberto por coação no curso do processo, por causa de causa de sua atuação nos Estados Unidos para intimidar o Judiciário brasileiro e atrapalhar o processo da trama golpista.

Neste mês, Eduardo e seu aliado Paulo Figueiredo estiveram na capital dos Estados Unidos para conversar com autoridades do governo de Donald Trump. Eles afirmaram que pretendiam falar sobre as eleições no Brasil e sobre uma retomada de sanções contra ministros do STF como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino.

Folha de São Paulo

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