Esporte

Eficácia de escudos antidrones gera dúvidas a menos de quatro meses de Paris-2024

A quatro meses dos Jogos Olímpicos, as dúvidas não param de se acumular sobre o sistema de defesa que deveria proteger Paris de um hipotético atentado perpetrado por uma nuvem de drones durante a cerimônia de abertura, com 300 mil espectadores às margens do Sena.

O fantasma de um atentado preocupa todos os países organizadores dos Jogos há mais de meio século. A França decretou o nível de alerta máximo após o sangrento ataque de 22 de março em Moscou, reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI).

A França registrou 22 atentados desde 2015 e, apesar da persistente ameaça, o presidente Emmanuel Macron assegurou na quinta-feira (4) que a cerimônia de abertura ao ar livre no Sena continuava sendo o plano “privilegiado”, mas que prevê alternativas.

Embora oficialmente tudo esteja bem, a incerteza paira sobre o escudo antidrones para o encontro olímpico, previsto em Paris de 26 de julho a 11 de agosto, especialmente após a exclusão da publicação de um delicado relatório parlamentar a respeito.

“É irritante que isso venha à tona, mas sim, infelizmente, contrariamente à linha oficial, as coisas não estão realmente funcionando como gostaríamos”, disse uma fonte de segurança de alto nível à AFP, que pediu anonimato.

Em maio de 2023, durante a assinatura do protocolo de segurança para os Jogos Olímpicos, o ministro do Interior, Gérald Darmanin, considerou os drones como “a principal [ameaça] sem dúvida que deve ser temida”.

Com uma frota estimada em quase três milhões de drones nas mãos de particulares na França, as autoridades se esforçam para evitar que esses veículos aéreos não tripulados sobrevoem os locais olímpicos sem autorização.

A resposta militar durante os Jogos foi confiada em abril de 2022 aos grupos da indústria de defesa e segurança Thales e CS Group, mas a entrega de seis sistemas batizados de “Parade”, prevista para junho de 2023, foi adiada vários meses.

Esse atraso levou o Senado a iniciar uma missão de informação no final de 2023. O presidente desta comissão, Cédric Perrin, disse em dezembro aos jornalistas especializados em Defesa que a luta antidrones “não [estava] no nível”.

E um exercício em grande escala organizado pelo exército do ar em meados de março para testar os primeiros sistemas “Parade” em Villacoublay, a sudoeste de Paris, também não convenceu todos os participantes.

Plano B?

Os senadores anunciaram em 20 de março que seu relatório finalmente não seria público. “É uma questão de segurança nacional” e publicá-lo “poderia ser perigoso”, justifica uma fonte próxima ao exército.

O ministro da Defesa, Sébastien Lecornu, encerrou em 2 de abril as audiências a portas fechadas da comissão, mas pouco antes afirmou que pediram à Thales melhorias para responder “precisamente a todas as solicitações” do encargo.

Contatada pela AFP, a Thales não fez comentários.

Para Alain Bauer, professor de Criminologia, “nenhum sistema é tão eficaz quanto se espera”, como demonstra “quase diariamente o que acontece na Ucrânia”. “Apesar de os sistemas estarem sem dúvida entre os melhores do mundo, vários drones conseguem se infiltrar”, acrescenta.

O exército do ar comprou recentemente vários sistemas antidrones “Bassalt”, fabricados pela Hologarde —subsidiária do grupo Aeroportos de Paris (ADP)— para detectar e interceptar drones em um raio de dez quilômetros.

Com o “Bassalt”, o exército poderia “equipar todas as sedes dos Jogos Olímpicos”, inclusive a cerimônia de abertura, uma espécie de Plano B antidrones, segundo a fonte de segurança.

“É como se você tivesse um carro com defeito ou em mau estado e, na sua garagem, tivesse também um que funciona. Com qual você iria de férias? Eu tenho certeza”, acrescenta um alto funcionário.

Folha de São Paulo

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo