Política

Eleições 2026: Lula teme interferência na eleição e amplia crises com EUA e Argentina

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É muito provável que até às eleições o Brasil não tenha embaixador ativo em Washington e em Buenos Aires. É uma situação inédita.

O governo americano revogou o visto da embaixadora brasileira numa “ação recíproca” a uma suposta demora na aceitação do novo embaixador no Brasil, ainda não aprovado no Congresso dos Estados Unidos.

O governo brasileiro nega, e qualifica como “falsas” as justificativas do Departamento de Estado para a ofensiva entendida como essencialmente política.

Enquanto isso acontecia, a chancelaria brasileira anunciava ao embaixador da Argentina que os seus serviços no país se tornariam dispensáveis a partir de hoje: todos os contatos oficiais passam a ficar restritos ao encarregado de negócios argentino em Brasília.

Divulgou-se, também, a decisão de retirada do embaixador brasileiro de Buenos Aires por tempo indefinido.

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É um perigoso balé de espadas afiadas em punhos de renda. E é muito provável que se estenda até a proclamação do resultado da eleição presidencial.

Há um detalhe que preocupa o governo Lula: a decisão da maioria dos 158 milhões de eleitores brasileiros pode vir a ser questionada e, até mesmo, não reconhecida pelos governos de Donald Trump e de Javier Milei acompanhados por outros países, entre eles Israel.

Isso, claro, num cenário de derrota de Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, que se esforça para ser reconhecido como candidato dos Estados Unidos na eleição presidencial do Brasil.

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No governo Lula predomina a crença de que, em Washington, um pequeno grupo de ativistas republicanos influentes tenta consolidar uma iniciativa de intervenção indevida nas eleições presidenciais brasileiras.

A adesão em Buenos Aires teria sido automática, com a naturalidade de mais um “troco” de Milei a Lula pela ingerência na disputa presidencial argentina de 2023. Este é um jogo personalista, onde o brasileiro e o argentino esgrimem por antipatia mútua — na agenda desse embate não há sequer uma vírgula assemelhada àquilo que se define como interesse público.

A confusão só não foi maior, porque diplomatas brasileiros e paraguaios evitaram uma escalada na crise entre Brasília e Assunção criada por comentários erráticos de Lula sobre a guerra contra o Paraguai (1864-1870), quando tropas brasileiras dizimaram a população masculina (crianças incluídas) daquele país.

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Em campanha pela reeleição, e por motivos diversos, o governo Lula chocou-se com dois dos três sócios-fundadores do Mercosul (Argentina e Paraguai) e avançou no conflito diplomático com os EUA.

É evidência de que alguma coisa está fora de ordem no quilômetro de terra seca, asfalto e concreto que separa os palácios do Planalto e do Itamaraty. Afinal, como dizia o perspicaz Marcos Azambuja, um dos mais influentes diplomatas brasileiros, “a Argentina é o único lugar que importa no qual o Brasil é importante, e há lugares que importam, como os Estados Unidos, em que o Brasil não é importante…”

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