Política

Eleições 2026: Para 48% dos eleitores, crime organizado agora quer dominar a política

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Ampla maioria (55,9%) dos eleitores acha que Lula deveria seguir Donald Trump e classificar as duas maiores máfias nacionais, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas.

Há uma parcela expressiva (40,8%) que discorda, mostra pesquisa da AtlasIntel realizada entre o sábado (30/5) e esta quarta-feira (3/6).

Governos do Brasil e dos Estados Unidos mantêm divergências sobre o enquadramento de grupos criminosos brasileiros na lista de terrorismo. As razões estão nas opções de política externa.

No governo Lula prevalece a rejeição a iniciativas que possam legitimar a submissão de cidadãos e empresas brasileiras à jurisdição externa por eventuais delitos cometidos em território nacional.

No governo Trump predomina a lógica da repressão ao crime organizado com o manejo elástico da legislação sobre crimes comuns e políticos. Foi o que sustentou a ordem de Trump, em janeiro, para sequestrar o ditador Nicolás Maduro, em Caracas, e levá-lo a julgamento por narcotráfico em Nova York.

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Os resultados da pesquisa sugerem que, para a maioria do eleitorado, terrorista é quem promove o terror, não importa se o objetivo é político, caso do Hezbollah e da al-Qaeda, ou apenas o lucro, como ocorre com o PCC e do Comando Vermelho.

Um quinto da população vive em áreas controladas por máfias locais, associadas ao PCC e ao Comando Vermelho, e, em menor escala, subjugadas por grupos de milicianos — em geral, compostos por policiais. Essa expansão territorial, orientada pelas rotas de narcotráfico, resultou numa conflagração urbana sem precedentes.

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Os eleitores, mostra a AtlasIntel, culpam governos e Judiciário. Maioria (47,6%) qualifica como “péssimo” o desempenho do governo Lula na área de segurança pública e na repressão ao crime organizado.

Julgam o Judiciário (39,5%) e sucessivos governos federais (36,3%) culpados por inércia ou leniência, cujo resultado foi o crescimento das facções criminosas.

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Aos olhos do eleitorado, organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho estão modificando o foco operacional. Praticamente metade (48,3%) dos entrevistados acha que a prioridade dessas máfias passou a ser a corrupção de agentes públicos e, principalmente, a infiltração para dominar as instituições políticas.

Sete em cada dez eleitores (74,5%) recomendam ao governo uma só receita para repressão efetiva ao crime organizado em todo o país: asfixia financeira imediata, com bloqueio de bens, contas e rastreio de lavagem de dinheiro no sistema bancário.  Aparentemente, esperam do governo, do Congresso e do Judiciário menos discursos e mais ações coordenadas, coerentes e consistentes contra o crime organizado.

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