Política

Em debate, Lula defende legado econômico, enquanto Flávio destaca custo de vida e dívidas


No primeiro debate presidencial do segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o seu legado na economia, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) falou em aumento do preço dos alimentos e endividamento.

Lula disse ter orgulho de ter conquistado dois graus de investimento em seus governos. Também afirmou que o país hoje tem risco baixo e está perto de recuperar a nota.

O presidente também citou o desempenho econômico do passado. Disse que já ajudou o país a crescer 10,5% durante seu primeiro governo e que, depois que deixou o cargo, em 2010, o PIB (Produto Interno Bruto) só voltou a avançar acima de 3% após o seu retorno ao Planalto, em 2023.

Para o petista, o caminho passa por fazer “o dinheiro circular na mão das pessoas”. “Muito dinheiro na mão de pouco significa pobreza e miséria. E pouco dinheiro na mão de muito significa distribuição de riqueza, distribuição de renda.”

Nessa linha, Lula citou a Lei Geral da Pequena e Média Empresa e disse que o governo discute formas de incentivar os MEIs a gerarem mais empregos e crescimento.

O presidente também afirmou que herdou uma dívida de US$ 30 bilhões com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e um país sem reservas, e que seu governo quitou o débito, acumulou US$ 270 bilhões em reservas e bancarizou 22 milhões de brasileiros.

Já Flávio Bolsonaro começou com um apelo direto ao eleitor. Perguntou se a vida melhorou ou piorou, se a comida está mais cara e há quanto tempo o telespectador não coloca carne no freezer.

Flávio afirmou que o fato de ter saído na frente no primeiro turno fez a taxa de juros futuros recuar 2%, e criticou a dívida pública de R$ 11 trilhões, que chamou de “mais um recorde negativo”.

O candidato do PL disse que um eventual governo seu abriria espaço de mais de R$ 200 bilhões no Orçamento. Prometeu usar o dinheiro para ajudar o governo a pagar a própria dívida e, com isso, ajudar o cidadão a quitar a sua.

Ele acusou a atual gestão de gastar “de forma desenfreada” para tentar se reeleger e afirmou que isso pressiona os juros pagos pelas famílias. “Essa dívida não é sua. Essa dívida é do atual governo, que gasta, gasta de uma forma desenfreada.”

Flávio prometeu um programa de renegociação de dívidas e afirmou que congelará a dívida dos endividados.

“Você não vai pagar boleto nenhum. E para você que é pessoa jurídica, vai ser um ano sem pagar boleto”. Disse ainda que garantirá financiamento de longo prazo a juros baixos. “Após um ano com essa carência é que você vai voltar a pagar a sua dívida, mas a sua parcela vai estar mais baixa, você vai pagar com um financiamento barato de longo prazo.”

Em meio às acusações entre os candidatos, Lula provocou Flávio ao perguntar se o senador abraçará, se eleito, a política econômica do presidente da Argentina, Javier Milei, conhecido pelos cortes de gastos no país vizinho.

“E o Milei? Vai pegar emprestada a motoserra do Milei? Responde”, insistiu o presidente. Flávio perguntou qual seria o modelo de Lula na economia. “O meu. É o modelo em que a economia cresce e que tem o maior programa de inclusão social da história desse país.”

Escala 6×1

Flávio Bolsonaro afirmou que escutou a população e que por isso mudou de ideia em relação ao fim da escala 6×1, mas que os brasileiros não poderão aproveitar a folga por causa da falta de segurança.

“Não quero que seu dia de folga seja um pesadelo”, disse. “Quero que você vá no supermercado e encha o seu carrinho de compra, que você consiga sair da sua dívida.”

Lula rebateu que Flávio nunca entrou no ônibus nem nunca trabalhou. “Ele não sabe o que é o mundo do trabalho”.

O presidente afirmou ainda que tem consciência que os preços estão altos, mas disse que a inflação estava mais alta no governo Bolsonaro. “Nós tivemos a decêndia de aumentar o salário mínimo acima da inflação”, disse.

Quando os candidatos foram questionados sobre produtividade, Lula afirmou que o PIB da indústria voltou a crescer e que o governo investirá em economia digital, com a atração de data centers. “O mais importante é a formação de profissionais, sobretudo em engenharia e matemática, para darmos um salto de qualidade.”

Ao responder a mesma pergunta, Flávio respondeu que fará “o maior programa de mobilidade social da história do Brasil” e que fará um programa para conectar o governo à area de recursos humanos das empresas. “Vai indicar se na sua região tem uma empresa que se encaixe naquilo que você sabe fazer”, afirmou, sem dar detalhes.

Folha de São Paulo

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