Política

Em SP, ato reúne milhares de pessoas pelo fim da escala 6×1; PEC vai à CCJ nesta semana

O domingo (30) foi de mobilizações pelo fim da escala 6×1 no Brasil. O objetivo dos atos, que ocorreram em diversas capitais como Brasília, Salvador e Rio de Janeiro, é pressionar pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a carga horária de trabalho semanal para 40 horas, com dois dias de repouso semanal. A votação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal está prevista para esta semana e, logo depois, a PEC deve ser encaminhada para votação no Plenário da Casa.

Os atos foram convocados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), pelas demais centrais sindicais, pelo Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. 

Em São Paulo, o protesto se concentrou no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. O balanço da mobilização foi positivo, de acordo com o presidente da CUT São Paulo, Raimundo Suzart. “Tem uma mobilização grande dos trabalhadores, principalmente do setor de comércio. Todas as convocações que a gente tem feito em defesa do fim da escala 6×1 tem tido uma grande mobilização. Por ser um domingo, tinha um público bem representativo, com todas as entidades sindicais, todas as centrais, todos os movimentos sociais”, avalia. 

Ato pelo fim da escala 6x1 em São Paulo contou com ampla representatividade de movimentos populares e centrais sindicais
Ato pelo fim da escala 6×1 em São Paulo contou com ampla representatividade de movimentos populares e centrais sindicais | Crédito: Elineudo Meira

Camila Moraes, secretária-geral da União Nacional dos Estudantes (UNE), ressalta que o fato de a mobilização ter ocorrido durante o período eleitoral contribuiu para pressionar as candidaturas sobre o tema. “Tivemos o ato mesmo durante a campanha eleitoral e para ocupar as ruas por essa agenda política, que é uma agenda central também da disputa eleitoral em 2026. Mesmo imersos nesta tarefa de disputar as eleições, seguimos construindo a luta pelo fim da escala 6×1 e o dia de hoje é um exemplo desse nosso compromisso com a luta do povo brasileiro”, afirma.

Redução da jornada beneficia jovens e mulheres 

Suzart ressalta que, em São Paulo, a mobilização tem sido apoiada por trabalhadores da área de comércio e serviços e que a CUT tem uma expectativa de geração de mais vagas de emprego nesses setores. “A gente conversa com todos os trabalhadores de restaurante, de shopping, de todo o comércio em geral, que folga um dia por semana e, na maioria das vezes, o dia da folga é na semana e, quando muito, tem um domingo no mês para ficar em casa. Isso, principalmente para as mulheres, que são maioria no comércio, é extremamente importante. Na indústria já há uma prática de trabalhar sábados alternados, então já tem uma folga. E a gente imagina que isso vai gerar postos de trabalho também para os trabalhadores”, explica. 

Ato pela aprovação do fim da escala 6x1 em São Paulo, na Avenida Paulista
Ato pela aprovação do fim da escala 6×1 em São Paulo, na Avenida Paulista | Crédito: Junior Lima @xuniorl

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sete em cada dez jovens universitários conciliam estudo e trabalho. Camila Moraes ressalta que, muitas vezes, a sobrecarga de trabalho empurra os jovens para a evasão escolar.

“Eles conciliam o estudo com o trabalho, mas, às vezes, essa conciliação acaba porque muita gente não tem o direito de escolher estudar e não trabalhar, porque precisa trabalhar para sobreviver. É por isso que a União Nacional dos Estudantes esteve hoje nas ruas da [Avenida] Paulista e está nas ruas de todo o Brasil, defendendo o fim da escala 6×1 também como uma agenda de luta da juventude e do movimento estudantil brasileiro”, aponta a secretária-geral da UNE.

Fim da escala 6x1 será votada no Senado Federal nesta semana
Fim da escala 6×1 será votada no Senado Federal nesta semana | Crédito: Junior Lima @xuniorl

O presidente da CUT-SP reforça que os novos postos de trabalho podem beneficiar  especialmente a juventude. “A gente precisa dar uma oportunidade para a juventude. A juventude quer entrar no mercado de trabalho, mas, numa condição onde a gente tenha direito à cultura, lazer, descanso e não neste trabalho semiescravo”, finaliza. 

Próximos passos 

A CUT deve manter a mobilização durante a semana com panfletagem e atos simbólicas. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que a PEC do fim da escala 6 X 1 deve ser analisada na CCJ na próxima quarta-feira, dia 2 de setembro.




Brasil de Fato

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