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Empatado em 1 a 1, o julgamento de Moro ganha aparência lotérica

Seja qual for o resultado da loteria togada, o veredicto final será proferido em Brasília. Já está entendido que a parte perdedora recorrerá ao VAR do Tribunal Superior Eleitoral.

No limite, o caso pode ser submetido à apreciação do Supremo Tribunal Federal. Antevendo o que está por vir, Moro pediu e obteve uma audiência com o decano da Suprema Corte, Gilmar Mendes, hoje o crítico mais feroz à sua atuação como juiz da falecida Operação Lava Jato.

No momento, o miolo da controvérsia consiste na aferição dos gastos realizados na pré-campanha presidencial de Moro. PL e PT, autores das ações, apresentaram valores discrepantes: R$ 6,7 milhões e R$ 21 milhões. A defesa de Moro falou em R$ 141 mil.

Favorável à cassação, o Ministério Público contabilizou pouco mais de R$ 2 milhões, o que equivale a 40% do teto permitido aos candidatos ao Senado pelo Paraná. Para sustentar que não houve abuso, o relator Falavinha somou apenas as despesas realizadas em solo paranaense: cerca de R$ R$ 224,8 mil —algo como 5% do teto.

A ausência de previsão legal para as despesas de pré-campanha favorece a atmosfera de loteria. O juiz Rodrigo Sade adotou a soma do Ministério Público. Considerou irrelevante saber se Moro tinha ou não a intenção de concorrer ao Senado depois do fiasco do seu plano presidencial.

Para Sade, Moro estrelou um “filme com objetivo eleitoreiro” desde o dia em que se despediu da magistratura para virar ministro da Justiça de Bolsonaro. Quer dizer: a despeito do hipotético caráter técnico do julgamento eleitoral, o pano de fundo do julgamento de Moro está impregnado de marcas da atuação do senador como juiz da 3ª Vara Federal de Curitiba.

Matéria: UOL Notícias

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