Enquanto prega voto útil, Flávio Bolsonaro calcula riscos de 2º turno contra Lula

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A menos de dez dias do primeiro turno, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e seus aliados vêm intensificando a pregação, em comícios, entrevistas e nas redes sociais, para eleitores que hoje demonstram preferência por alternativas de centro-direita — Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) — aderirem a um chamado “voto útil” já em 4 de outubro.
Há recados explícitos e outros nem tanto da campanha bolsonarista para justificar o apelo pela definição em um turno só. A última vez em que isso aconteceu foi na corrida de 1998, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) conquistou a reeleição com mais da metade dos votos válidos, dispensando uma segunda votação.
Publicamente, o filho mais velho de Jair Bolsonaro tem dito que concentrar de uma vez os sufrágios da direita e de eleitores antipetistas na sua candidatura possibilitaria “livrar o Brasil do PT e de Lula” o mais rapidamente possível e dar início a um período de transição de governo durante o qual ele promete cumprir promessas como articular a aprovação do fim da reeleição para presidente.
A VEJA, um dos principais interlocutores da campanha do senador mostrou-se mais realista, dizendo que a sucessão no Palácio do Planalto deverá mesmo ter dois turnos. E reconheceu os riscos embutidos no intervalo de três semanas entre 4 e 25 de outubro.
O principal deles é o andamento do inquérito sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia dedicada a Jair Bolsonaro, no qual Flávio Bolsonaro é investigado por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas com origem em um suposto contrato de patrocínio de 134 milhões de reais do Banco Master que ele negociou diretamente com Daniel Vorcaro, hoje preso preventivamente pela maior fraude financeira da história do país.
Por mais que Flávio Bolsonaro e todos os seus aliados digam que o negócio foi fechado quando o Master ainda operava regularmente e não havia investigação contra Vorcaro, o caso paira permanentemente sobre a campanha como um fantasma, com rumore e comentários à boca miúda correndo semanalmente sobre a hipótese de uma operação policial para prender a dona da produtora do filme, Karina Gama, ou até uma busca e apreensão contra o próprio senador.
Há duas frentes de investigação sobre o “Dark Horse” no Supremo Tribunal Federal. A primeira está com o ministro André Mendonça, alçado à condição de ídolo da direita por ter revelado as mensagens impróprias de Vorcaro para Alexandre de Moraes, inimigo público número 1 do bolsonarismo, que arrastaram a Corte para o centro do caso Master.
A segunda está sob relatoria de Flávio Dino, ex-ministro de Lula que chegou ao STF por indicação do petista, como desdobramento das ações que o ministro comanda sobre irregularidades eventualmente cometidas no direcionamento de emendas parlamentares. Sob sua batuta, a Polícia Federal apura a hipótese de repasses de autoria do deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor de “Dark Horse”, terem sido canalizados para a cinebiografia.
Em entrevista às Páginas Amarelas, o coordenador da campanha do PL, senador Rogério Marinho (PL-RN), deixou subentendida uma das preocupações no QG de Flávio Bolsonaro com a extensão da corrida presidencial. “O eleitor dessas candidaturas que estão no nosso campo — e que têm toda a legitimidade — pode entender de que é necessário que haja um voto útil para concluir esse processo e evitar que haja um esgarçamento do processo no futuro.”
Questionado diretamente sobre a possibilidade de uma operação policial que pudesse fustigar a candidatura do PL, Marinho respondeu que “prefere não acreditar” que Flávio Dino vá cometer alguma arbitrariedade. “O recurso que foi solicitado por Flávio não foi para ele. Ele não operou. Ele não administrou. Ele não investiu. O recurso foi para um fundo nos Estados Unidos”, afirmou. “Espero que o ministro Flávio Dino se atenha aos parâmetros da própria investigação e aos indícios que ele porventura encontre.”
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