Entenda o câncer de intestino, tumor enfrentado pelo ator Lúcio Mauro Filho

Em entrevista ao podcast Alt Tabet, o ator Lúcio Mauro Filho revelou, pela primeira vez, que já enfrentou um câncer no intestino. A doença apareceu durante uma colonoscopia realizada durante um check-up. Hoje recuperado, Lúcio afirmou que continua realizando exames periódicos. O artista aproveitou o relato para reforçar a relevância dos cuidados preventivos. O alerta ganha ainda mais peso no Brasil, onde o câncer colorretal está entre os tumores mais incidentes e letais.
“O câncer colorretal é uma doença maligna do aparelho digestivo que acomete o intestino grosso. Mas, na verdade, o termo ‘câncer colorretal’ refere-se ao agrupamento de dois tipos de neoplasias do intestino grosso: o câncer de cólon e o câncer de reto. Quando esse tumor está localizado em até 10 centímetros da margem anal, dizemos que é um câncer de reto. Já entre 10 a 12 centímetros dessa margem, é a transição sigmoide. E, acima de 12 centímetros, um câncer de cólon”, esclarece o Dr. Ramon Andrade de Mello, oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.
Fatores de risco e métodos de rastreamento
Segundo o oncologista, os principais fatores de risco das neoplasias colorretais são obesidade, consumo de alimentos processados e estilo de vida sedentário.
“A idade também é um fator de risco importante, sendo que há uma maior suscetibilidade para o desenvolvimento desse tipo de neoplasia após os 50 anos”, destaca o especialista.
O médico ressalta a importância da realização anual de exames para o rastreio da doença.
“Um dos principais métodos para o rastreamento das neoplasias colorretais é o exame chamado de pesquisa de sangue oculto nas fezes. Ele deve ser feito anualmente e, dependendo do resultado, o médico poderá indicar uma investigação mais aprofundada, com exames como retossigmoidoscopia ou mesmo a colonoscopia total”, diz o Dr. Ramon.
O oncologista acrescenta que, em casos de pacientes com histórico familiar de doenças genéticas associadas às neoplasias do intestino, pode haver indicação direta para a realização da colonoscopia, sem precisar realizar o teste de sangue oculto nas fezes.
Tratamentos para cólon, reto e doença avançada
Uma vez diagnosticado, o tratamento dependerá do tipo específico do câncer e do grau de acometimento.
“O tratamento do câncer de reto pode envolver radioterapia, quimioterapia e também cirurgia. Normally, iniciamos com quimioterapia, cuja resposta é avaliada com exames de imagem, como a ressonância. Em seguida, podemos indicar um protocolo de radioterapia e, posteriormente, a cirurgia. Quando realizada após esse tratamento, a cirurgia tem menor risco de complicações e maiores chances de sucesso”, afirma o Dr. Ramon.
“Já o câncer de cólon geralmente é tratado logo de início com a cirurgia. E depois, dependendo do resultado anatomopatológico, ou seja, da avaliação da peça da biópsia cirúrgica, o médico avalia a indicação ou não de quimioterapia complementar”, detalha o profissional.
Na doença avançada metastática, tanto o câncer de cólon quanto o de reto têm uma modalidade de tratamento muito semelhante.
“Normalmente, o tratamento é por terapia sistêmica antineoplásica, que inclui quimioterapia, terapias-alvo e também a imunoterapia em alguns casos selecionados”, diz o oncologista.
A escolha dependerá se a doença metastática é ressecável ou irressecável.
“Ressecável refere-se a uma metástase que pode ser retirada com cirurgia, o que não é possível na doença irressecável. Dependendo do tipo de doença metastática e da maneira que está espalhada, podemos combinar tratamentos. Então é uma doença bem complexa, mas que atualmente já tem diretrizes importantes que permitem o tratamento com bons resultados”, pontua o médico.
Duração do tratamento, chances de cura e testes genéticos
O Dr. Ramon Andrade de Mello explica que, na fase inicial, o tratamento do câncer colorretal pode levar de quatro a seis meses para ser completado, por envolver uma combinação de protocolos.
“Já na doença avançada, o tratamento pode levar mais de cinco anos, dependendo de cada paciente”, ressalta o especialista.
“Mas podemos dizer que a doença é sim curável, principalmente nos estágios mais precoces. A doença mais localizada tem chances de cura bem maiores, enquanto na doença avançada as chances diminuem”, diz o oncologista.
Por fim, o médico acrescenta que a biologia molecular desses tumores é uma questão decisiva na hora da escolha dos tratamentos.
“Por isso, solicitamos testes genéticos que vão nos ajudar a direcionar o melhor tratamento para cada caso. Os testes genéticos de RAS e de BRAF são preconizados pelas diretrizes brasileiras e americanas de cancerologia. Além disso, cada vez mais a biópsia líquida também tem nos ajudado a identificar os melhores resultados para cada paciente”, finaliza o médico.
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