Saúde

Entenda os riscos e cuidados ao fazer procedimentos estéticos, como peeling de fenol

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O caso da morte de um homem de 27 anos após realizar um peeling de fenol em uma clínica estética em São Paulo nos leva a questionar sobre por que tantos jovens se submetem a procedimentos estéticos, muitas vezes sem necessidade. É sobre isso que escrevo na edição de hoje.

Vivemos uma febre de procedimentos estéticos?

O motivo de tratamentos estéticos fazerem tanto sucesso no Brasil foi investigado por pesquisadores, que não chegaram a uma conclusão única. Imaginário de beleza “perfeita”, desejo de parecer jovem, estereótipos, principalmente ligados às mulheres, são fatores que estariam por trás da procura por procedimentos.

Fato é que o país lidera o ranking de procedimentos ao lado dos Estados Unidos, que têm uma população 30% maior.

No Brasil, um fator tem influenciado as buscas por tratamentos estéticos nos últimos anos: a proliferação nas redes sociais de imagens de “antes e depois” de procedimentos e a multiplicação de ditos “profissionais” que oferecem pacotes mais baratos –e com resultados “imediatos” de tratamentos.

A morte do empresário Henrique da Silva Chagas, 27, no último dia 3 de junho, chamou a atenção para o problema. Ele foi submetido a um procedimento de peeling de fenol no Studio Natália Becker, feito pela dona do local, que não tinha formação na área e tampouco era profissional de saúde. A causa da morte foi uma parada cardiorrespiratória durante o procedimento.

Após o caso, o CFM (Conselho Federal de Medicina) defendeu que procedimentos do tipo sejam realizados apenas por médicos. A entidade justifica que há um risco cardíaco elevado –o fenol entra na corrente sanguínea e possui ação cardiológica, por se tratar de uma substância tóxica.

Cabe ao médico monitorar os batimentos cardíacos do paciente, explica o dermatologista Thiago Cunha. Ele lembra que antes de fazer o peeling é preciso realizar um check-up cardiológico e verificar se há riscos.

“Sem a avaliação clínica, o procedimento torna-se bastante arriscado”, afirma o médico. “Na literatura médica, há o registro de dois óbitos por peeling de fenol desde 1960. Então, se feito corretamente, é um dos procedimentos mais seguros”, completa.

Cunha relaciona a busca por tratamentos estéticos cada vez mais cedo ao fenômeno batizado de “Sephora kids“, com crianças que querem fazer rotinas de skincare.

“Quando começa a ligar esses pontos, tem toda uma corrente, principalmente do TikTok, de pessoas que vão vendo os resultados de um procedimento, um tratamento estético, acham legal e querem fazer igual”, afirma.


Antes dos 30 anos, segundo o dermatologista, a pele ainda não apresenta sinais de envelhecimento que podem ser tratados. É depois da terceira década de vida que começam a surgir os primeiros sinais na pele em relação à perda de elasticidade e ao nível de colágeno.

“Uma pessoa de 25 anos querendo fazer peeling de rejuvenescimento não é compatível com a biologia”, diz.

E há procedimentos seguros?

É claro que nem tudo que é feito vai apresentar um risco à saúde, mas a dica dele e de outros especialistas é, primeiro, sempre buscar um médico para aquele problema de pele, seja ele mais grave ou não. Além disso, uma avaliação criteriosa poderá indicar quais os procedimentos mais seguros para você, incluindo aqueles que terão uma ação duradoura.

“Todo tratamento na estética é transitório, você parte de um procedimento que é preciso ser refeito a cada quatro meses, ou seis meses, para garantir aquele resultado. E, com isso, você pode adquirir resistência, por exemplo no caso do botox, com um efeito colateral de, inclusive, acelerar o envelhecimento”, diz.

Alguns dos procedimentos mais seguros para tratamento de melasma e rejuvenescimento celular são os bioestimuladores faciais e preenchimento, que fazem parte do chamado dermatologia clássica.

Cunha conta que há hoje técnicas de dermatologia regenerativa, que consistem em aplicar, seja via microagulhamento (técnica onde várias microagulhas furam a pele para chegar até a derme, que é a camada mais profunda, onde será aplicado o medicamento ou produto biológico desejado) ou laser (luz) substâncias extraídas de células-tronco (como proteínas de crescimento e colágenos, chamados exossomos) que aceleram a regeneração celular.

Essa técnica é hoje autorizada no Brasil utilizando apenas células-tronco de origem vegetal, lembra, e tem como resultado uma regeneração celular acelerada.

“Tem estudos também que estão avaliando a dermatologia regenerativa para crescimento de cabelo, por exemplo. É um campo bem promissor”, explica.

Bom para a pele..

São conhecidos os fatores que podem ajudar na produção de colágeno. Quatro deles servem como guia básico: sono regular e reparador, alimentação balanceada, hidratação e prática de exercícios físicos regularmente.

Antes de ir embora, deixo um recado: estão abertas, até o dia 23 de junho, as inscrições para o Programa de Treinamento de Jornalismo em Ciência e Saúde da Folha. Interessados podem se inscrever por aqui.

CIÊNCIA PARA VIVER MELHOR

Novidades e estudos sobre saúde e ciência

  • Estudo indica que tratamento que evita hemorragia no parto é eficaz e custa pouco. Uma pesquisa com 78 hospitais em todo o mundo com mais de 200 mil mulheres mostrou que uma intervenção feita no parto para prevenir hemorragia tem um custo adicional de US$ 0,30 (cerca de R$ 1,50) e pode ajudar a salvar mais de 70 mil vidas por ano. A técnica consiste em fazer medições de pressão arterial das mulheres durante o parto, seguidas de protocolos recomendados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para controle de hemorragia, ajudando a reduzir em mais de 60% os casos graves com resultados fatais.
  • Jejuar ajuda a melhorar células matadoras naturais do sistema celular. Passar por períodos de jejum pode ajudar o sistema imune a melhorar a atividade das células conhecidas como matadoras naturais, responsáveis por atacar agentes invasores, incluindo tumores, de acordo com um estudo feito com camundongos em laboratório pelo Centro de Câncer Memorial Sloan Kettering, nos Estados Unidos, e publicada na revista Immunity. Além de ajudar a entender como o jejum auxilia o sistema imunológico, a pesquisa também explica por que há a perda de gordura e aumento do metabolismo durante o jejum.

  • Mortes de crianças relacionadas a drogas dobraram nos EUA durante a Covid. As mortes de crianças com idades de zero a um ano aumentaram 2,2 vezes durante a pandemia da Covid, segundo um estudo publicado no Journal of Perinatal Medicine da Universidade Atlântica da Flórida. Os dados do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) relacionados a mortes por drogas indicam que, de 2018 a 2022, os números passaram de 295 para 917, sendo o maior aumento relacionado a bebês com mais de 28 dias de idade.

Informação

Folha de São Paulo

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