Economia

EUA precisam lidar com dívida, apesar de crescimento robusto, diz FMI

O FMI (Fundo Monetário Internacional) pediu nesta quinta-feira (27) aos Estados Unidos que aumentem os impostos para conter o aumento dos níveis de endividamento, ao mesmo tempo em que aplaudiu o crescimento “robusto e dinâmico” da economia norte-americana e o progresso no sentido de colocar a inflação sob controle.

O fundo disse, em um comunicado de encerramento de sua revisão do “Artigo 4°” das políticas econômicas dos EUA, que os altos déficits e a dívida “criam um risco crescente para a economia global e dos EUA, potencialmente alimentando custos de financiamento fiscal mais altos e um risco crescente para a rolagem suave das obrigações a vencer”.

O comunicado do FMI revisou ligeiramente para baixo sua previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA em 2024, para 2,6%, em comparação com a previsão de 2,7% do relatório Perspectiva Econômica Global da instituição em abril.

O FMI prevê que o crescimento dos EUA em 2025 cairá para 1,9% —sem alterações em relação à previsão de abril— e permanecerá acima de 2% até o final da década.

“A economia dos EUA tem se mostrado robusta, dinâmica e adaptável às mudanças nas condições globais”, disse o FMI. “A atividade e o emprego continuam a atender às expectativas… e o processo de desinflação tem sido consideravelmente menos oneroso do que muitos temiam.”

O FMI disse que espera que a inflação dos EUA, medida pelo índice PCE, retorne à meta de 2% do Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) em meados de 2025, consideravelmente mais cedo do que a previsão do próprio Fed de retornar à meta em 2026.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou a repórteres que a previsão do Fundo é mais otimista porque a trajetória atual da inflação indica um retorno mais rápido à meta, em parte porque os fortes gastos dos consumidores dos EUA, impulsionados pela riqueza acumulada durante a pandemia da Covid-19, estão diminuindo e o mercado de trabalho está desacelerando.

Mas o FMI repreendeu Washington pelos déficits crescentes que, se continuarem, levarão a relação dívida/PIB dos EUA a um nível preocupante de 140% até o final da década.

Em sua conversa com Georgieva, a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, “reiterou a importância de avaliações francas e completas de todas as economias membros do FMI por meio do processo de supervisão anual. Elas discutiram o desempenho notável da economia dos EUA nos últimos anos, incluindo o crescimento econômico e o emprego que continuam a superar as expectativas.

Folha de São Paulo

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