Economia

Ex-executivo da Globo assume comando do Estadão

O ex-executivo da Globo Erick Bretas será o novo CEO do grupo Estado, que engloba a gestão do jornal e da rádio Eldorado. Francisco de Mesquita Neto deixa o cargo de diretor-presidente e passa para a presidência do conselho de administração. As mudanças foram anunciadas nesta terça (25).

Os demais integrantes do conselho serão Roberto Crissiuma Mesquita, Manoel Lemos, Marcelo Pereira Malta de Araújo, Marco Bologna e Tito Enrique da Silva Neto.

No comunicado, o grupo informa que, a partir de agora, os objetivos serão traçados e alinhados em acordo entre o conselho e o CEO.

Antes de se juntar ao Estadão, Bretas ocupava o cargo de diretor de produtos digitais e canais pagos da Rede Globo. Ele liderou a equipe que criou o Globoplay e deixou o grupo em fevereiro deste ano.

Por 16 anos, dedicou-se ao jornalismo, chegando a ocupar cargos como editor-chefe do Jornal da Globo, diretor regional de Jornalismo do Rio de Janeiro e diretor executivo da Central Globo de Jornalismo.

A empresa informa ainda que nada será alterado na linha editorial do jornal Estadão.

As mudanças no comando do grupo refletem a recente operação financeira que reestruturou o endividamento da companhia.

Emissão de dívida

No início do ano, foram realizadas duas emissões de debêntures (títulos de dívida). Rubens Ometto, dono da Cosan e da Raízen, comprou um pedaço da dívida do Estadão em uma operação com outros nove empresários que totaliza R$ 142,5 milhões em dois tipos de papéis, todos conversíveis em ações caso as obrigações do grupo não sejam honradas.

Um deles é um título perpétuo remunerado com base nos resultados da empresa. O outro são debêntures com vencimento de 10 anos, prorrogáveis pelo mesmo período, que dão ao titular o direito a receber 12,5% na distribuição de lucros da empresa.

O Painel S.A. confirmou que Ometto é um dos investidores junto a pessoas ligadas à família Mesquita, controladora do jornal.

Consultados, o empresário e o jornal não quiseram se pronunciar.

Para acompanhar os credores, os 15 integrantes da família fundadora do grupo colocaram R$ 15 milhões e deram 10% de suas ações na Agência Estado para o jornal –que emitiu as debêntures.

Em comunicado recente ao mercado, o Estadão já tinha informado que esse dinheiro vai acelerar seu processo de digitalização iniciado em 2019 com a contratação de diversas consultorias.

Na entrevista ao Brazil Journal, Mesquita Neto informou ainda que o grupo teve um receita líquida de R$ 518 milhões no ano passado e um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 64,2 milhões.

O executivo afirmou que, em 2023, o jornal fechou “pouco acima do breakeven” (empate entre receitas e despesas) pela primeira vez desde a pandemia. Mesquita Neto disse que o jornal, isoladamente, representou 60% das receitas e a perspectiva é de que o digital atinja o mesmo desempenho.

Com Diego Felix

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Folha de São Paulo

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