Exportar mais é consequência; operar melhor é a estratégia


O agronegócio brasileiro voltou a mostrar sua força. Em abril de 2026, as exportações do setor cresceram 11,7% e atingiram o recorde de US$ 16,65 bilhões, segundo o Ministério da Agricultura. O resultado reforça a importância do agro para a economia nacional, mas também deixa uma lição clara: exportar mais é consequência; operar melhor é a estratégia que sustenta esse desempenho ao longo do tempo.
Em um segmento de escala continental, aumento de receita não pode ser confundido com excelência operacional. Produzir, armazenar, processar, transportar e entregar com regularidade são etapas igualmente decisivas para a competitividade. Quando a operação amadurece, o agro captura valor. Quando a gestão falha, parte desse potencial se perde ao longo da cadeia.
Os números ajudam a dimensionar esse desafio. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro alcançou R$ 3,20 trilhões em 2025, com crescimento de 12,2% sobre o ano anterior.
A participação do setor na economia chegou a 25,13%, acima dos 22,9% registrados em 2024. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também apontou expansão superior a 10% da agropecuária no segundo trimestre de 2025.
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Ao mesmo tempo, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra avanços relevantes em eficiência produtiva. O Brasil se destaca entre os grandes exportadores agrícolas pela produção por unidade de emissão de gases de efeito estufa, enquanto o chamado efeito poupa-florestas alcançou 43,2% do território nacional em 2020.
Esses indicadores mostram que produtividade e sustentabilidade não são conceitos opostos. No agronegócio, sustentabilidade vai além da preservação ambiental. Ela depende do uso mais eficiente dos recursos, da redução de perdas, da previsibilidade operacional e da disciplina na execução.
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Essa lógica fica ainda mais evidente diante da escala das safras brasileiras. Com base em projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de grãos de 2025/26 foi estimada em 358 milhões de toneladas, com produção de soja próxima de 180 milhões de toneladas e exportações projetadas em 116 milhões de toneladas. Em operações dessa magnitude, qualquer ineficiência deixa de ser detalhe e passa a afetar margem, prazo e competitividade.
Por isso, a nova fronteira do agro brasileiro não está apenas em vender mais ao mundo, mas em operar com excelência para atender esse mercado global. O comércio internacional recompensa quem entrega consistência, rastreabilidade, regularidade e responsabilidade. E isso depende menos de discurso e mais de execução.
O setor sucroenergético ilustra bem essa transformação. O Brasil segue como líder global na produção de açúcar e segundo maior produtor mundial de etanol, mas ainda há espaço para avançar no uso eficiente dos recursos disponíveis, com apoio de inovação tecnológica, eficiência operacional e boas práticas sustentáveis. Crescer continua sendo importante. Crescer com disciplina, previsibilidade e produtividade operacional, porém, é o que diferencia uma liderança circunstancial de uma liderança duradoura.
No fim das contas, o recorde de exportações registrado em abril deve ser interpretado não apenas como confirmação da força do agro brasileiro, mas também como um chamado à maturidade operacional. O setor já demonstrou capacidade de produzir em escala. Agora precisa comprovar, com a mesma consistência, que também sabe operar com excelência.
*Andre Paranhos é vice-presidente da unidade de negócios da Falconi especializada em Agronegócio e Indústria de Bens de Consumo
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