Flávio Bolsonaro é questionado por 12 minutos seguidos e não explica pedido de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro

Na sabatina realizada pela TV Globo, nesta sexta-feira (28), o senador e candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) foi questionado por 12 minutos seguidos e não explicou o que foi feito com os R$ 61 milhões que ele pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, supostamente para financiar o filme Dark Horse, uma biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado.
Inicialmente, Flávio tentou reduzir a questão a dizer que o dinheiro foi apenas um patrocínio privado. “Não tem nada de errado em um filho buscar um financiamento para um filme sobre o próprio pai. Não teve nenhuma contrapartida minha, não recebi dinheiro para mim. É um patrocínio para um filme privado sobre o meu pai”, afirmou, ignorando a pergunta sobre o que significava dizer ao banqueiro: “estarei contigo sempre”.
Questionado sobre a prestação de contas do filme, que o senador afirmou que divulgaria em 30 dias, quando foi revelada a relação dele com Vorcaro, Flávio Bolsonaro tergiversou e não explicou.
“Eu falei: ‘quero, em 30 dias, que a produtora apresente uma prestação de contas’. E, antes desse prazo, a prestação de contas foi feita, inclusive na investigação que estava acontecendo na Polícia Civil de São Paulo”, disse, repetindo uma afirmação que omite o fato de que não há detalhamento, notas fiscais, comprovante ou planilhas de gastos demonstrando a origem e a destinação dos recursos.
O total que teria sido recebido em patrocínio para o filme foi de R$ 75 milhões, mas nenhum nome de outros patrocinadores, além de Daniel Vorcaro, foi revelado também.
Com a insistência do questionamento sobre o que foi feito com o dinheiro que Daniel Vocaro lhe deu, incluindo aí uma visita feita pelo senador ao banqueiro depois que ele já havia sido preso e estava utilizando tornozeleira eletrônica, Flávio Bolsonaro tentou jogar os holofotes no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse que o importante é que não há “um centavo de dinheiro público no filme”.
Em 13 de maio, o site The Intercept revelou que Flávio Bolsonaro teria negociado R$ 134 milhões com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar o filme.
Segundo áudios, documentos e mensagens divulgados, aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido pagos em seis operações. Os arquivos compreendem o período de fevereiro a maio de 2025.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu Flávio a Vorcaro, em uma mensagem enviada pelo WhatsApp em 16 de novembro de 2025, um dia antes de o banqueiro tentar fugir do país.
As conversas também indicam que o dono do Banco Master acompanhava pessoalmente o andamento dos pagamentos e atribuía prioridade ao filme em relação a outros compromissos financeiros.
Em outro áudio, Flavio cobra parcelas atrasadas de Vorcaro. “Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. Bom, aqui a gente está passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né? Não sei como é que vai ser daqui para a frente, como é que isso tudo vai acabar, mas está na mão de Deus aí”, disse Flávio, após a operação policial contra Vorcaro.
Salário Mínimo
Nas questões sobre economia, o candidato de extrema direita promoteu um arrocho forte nas contas públicas, o que indica cortes de gastos e programas sociais. E não se comprometeu a manter a política de ganho real do salário mínimo, que garante que o reajuste anual do piso salarial se mantenha acima da inflação.



