Flávio usa pesquisa e conta com Tarcísio e Nunes para destravar alianças na reta final

O avanço em pesquisa divulgada nesta segunda-feira (3) e o envolvimento do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), são a última cartada de Flávio Bolsonaro (PL) para fechar alianças em torno de sua candidatura à Presidência.
O prazo para a definição de coligações termina nesta quarta-feira (5), conforme a legislação eleitoral. A campanha do filho de Jair Bolsonaro (PL) enfrenta dificuldades para atrair outros partidos, o que é importante para garantir maior tempo de propaganda eleitoral na TV. Com isso, a vice da chapa segue indefinida.
Até o meio da semana, segundo aliados, Flávio estará focado nas articulações políticas e não deve participar de agendas públicas. O senador ainda trabalha com três frentes, sendo as duas primeiras prioritárias: insistir no apoio da federação União Progressista (formada pelo União Brasil e pelo PP), do Republicanos e do Podemos.
Para isso, o entorno do presidenciável considera um trunfo o levantamento BTG/Nexus que indicou que Flávio cresceu quatro pontos no cenário de primeiro turno na última semana. O presidente Lula (PT) aparece com 41% das intenções de voto, seguido pelo filho de Bolsonaro, que marca 37%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Seus aliados avaliam que a pesquisa pode sinalizar para os líderes partidários que Flávio continua a ser um candidato capaz de vencer as eleições. Eles dizem que outro argumento é que, caso o senador se eleja, dará prioridade na montagem do governo para legendas que o apoiaram desde o primeiro turno.
O Republicanos marcou sua convenção partidária para esta terça (4), às 9h, em Brasília. Como noticiou a Folha, a legenda deve rejeitar uma aliança, considerando que a neutralidade é a melhor estratégia para ampliar a eleição de deputados federais. A não adesão do partido virtualmente impossibilita que a vice de Flávio seja ocupada pela aliada Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, recém-filiada à sigla.
Já o PP anunciou no último dia 31 que ficará neutro na eleição presidencial, eliminando a possibilidade de que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) entrasse na chapa de Flávio, que a convidou para a vice. O União Brasil, parte da federação, também tende a não apoiar oficialmente nenhum candidato à Presidência.
Como mostrou a Folha, se continuar isolado, Flávio terá 20% a menos de propaganda eleitoral na TV e no rádio do que o presidente Lula.
Nos últimos dias, Nunes e Tarcísio fizeram uma investida para tirar o aliado do isolamento partidário e ajudá-lo a conseguir um nome de outro partido para a vice em sua chapa.
O nome preferido do prefeito é o da presidente do Podemos, Renata Abreu, legenda que apoia a reeleição de Tarcísio, mas que, na esfera federal, também sinaliza pela neutralidade.
Nunes e dois de seus principais auxiliares sondaram Renata sobre a possibilidade na sexta-feira (31), em um encontro que antecedeu a reunião que o prefeito também articulou entre Flávio e os vereadores da capital paulista. Segundo auxiliares dela, Renata ficou de consultar a legenda, ressaltando que a sigla se encaminha para manter os filiados livres na escolha para a Presidência.
A presidente do Podemos, no fim da convenção do partido no domingo (2), confirmou a sondagem para a vice, mas disse que a decisão de apoiar ou não Flávio seria da legenda como um todo. Há uma reunião prevista para o fim da tarde desta segunda-feira (3), mas seu entorno avalia que a decisão deve ficar para terça (4).
Um dos pontos levantados por um de seus auxiliares é que, no Podemos, ficou a impressão de que o convite feito por Nunes teve ares de pré-sondagem e que, só com a eventual confirmação de Renata, seu nome seria submetido a Flávio.
Já Tarcísio participou da convenção estadual da legenda e fez um discurso exaltando os atributos políticos da aliada, a quem chamou de “mãezona” ao descrever o quanto ela trabalha para buscar verbas destinadas a projetos de governantes de seu grupo.
O empenho maior de Tarcísio, contudo, foi para que a vice ficasse com Tereza Cristina. O governador e a senadora têm relação próxima, desde o tempo em que ambos eram ministros de Bolsonaro. Tarcísio telefonou para ela algumas vezes até construir as bases para que Flávio a convidasse para o cargo.
Porém, diante das resistências dos partidos do centrão, o governador já vem admitindo, segundo auxiliares, que Flávio concorrerá com uma chapa pura no primeiro turno.
Um integrante do PL disse à reportagem que Tereza Cristina ainda é o sonho de consumo para a vice do filho de Bolsonaro. Seu nome agradaria o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o coordenador da pré-campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL). Segundo esse interlocutor, Marinho está interessado em disputar a presidência do Senado em 2027 —se Tereza Cristina se tornasse vice, seria menos uma competidora na Casa.
Folha de São Paulo



