Frente Ampla lança pré-campanha de Lula no RS com foco em unidade e mobilização popular

Em um ato marcado pela união de diferentes forças políticas, a Frente Ampla deu início oficial à pré-campanha do presidente Lula no Rio Grande do Sul na noite desta quinta-feira (18). O evento, realizado no Ritter Hotel, em Porto Alegre, reuniu centenas de militantes, lideranças nacionais e representantes de movimentos sociais para defender a soberania nacional e pautas da classe trabalhadora.
O encontro contou com a participação do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e do ex-secretário nacional de Economia Popular e Solidária, Gilberto Carvalho, que está na coordenação nacional da pré-campanha.
A pré-candidata a governadora Juliana Brizola foi representada pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, pois estava acompanhando seu filho no hospital. O evento também teve a participação dos pré-candidatos ao Senado, Paulo Pimenta e Manuela d’Ávila, além de deputados federais, estaduais e vereadores dos partidos do campo popular e democrático.

Antes do lançamento da pré-campanha de Lula no RS, o ministro Guilherme Boulos e o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) mantiveram encontros com trabalhadores de apps e catadores e catadoras do Centro de Triagem da Vila Pinto, no bairro Bom Jesus. Já no Ritter, participaram da plenária das centrais sindicais pelo fim da escala 6×1.

“São tempos de avanços”, afirmou Edegar Pretto

Pré-candidato a vice-governador e coordenador da pré-campanha de Lula no estado, Edegar Pretto conduziu o ato ressaltando os avanços promovidos pelo governo do presidente Lula no Rio Grande do Sul, especialmente na área da educação. Ele citou a ampliação dos institutos federais e a chegada da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) à Serra Gaúcha. “São tempos de avanços”, afirmou.
Em sua fala, convocou a militância a assumir o papel de multiplicadora das ações do governo, defendendo que cada apoiador seja um “porta-voz do presidente Lula” nos grupos de mensagens e redes sociais. Pretto também demonstrou confiança no cenário eleitoral, afirmando que “a conjuntura é outra” em comparação a eleições passadas, exaltando a liderança internacional de Lula e sua defesa da soberania nacional. Ao criticar adversários ligados ao bolsonarismo, declarou que “falso patriota não tem lugar em Brasília e não tem lugar também aqui no nosso Rio Grande do Sul”.
Pretto ressaltou a necessidade de garantir a vitória de Lula no estado. “Ele precisa voltar a vencer as eleições no Rio Grande do Sul. E não vai ser uma tarefa fácil, porque parte da população vem sendo enganada por fake news disseminadas nas redes sociais, controladas pelas big techs. Muita gente está submetida à narrativa mentirosa da extrema direita”.
O coordenador da pré-campanha Lula no RS também falou da tentativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de interferir no processo eleitoral brasileiro. Mais uma vez, a grande águia norte-americana quis se meter em questões que só dizem respeito ao Brasil e deu com o bico em uma rocha, porque temos um presidente que deixou bem claro que quem manda no nosso país é o povo brasileiro”.
Pautas sociais e disputa de narrativas

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, encerrou o evento com um discurso focado na “pauta real” do país. Boulos alertou que os adversários tentarão desviar o foco da eleição para temas de “pânico moral” e ideológicos, enquanto o dever do campo progressista é debater a vida do povo.
“A pauta que a gente quer para a eleição é a vida do povo”, afirmou. Nesse contexto, defendeu o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, classificando a medida como a principal reivindicação atual da classe trabalhadora. “Acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de trabalho sem redução de salário hoje é a grande pauta da classe trabalhadora brasileira”, declarou, acrescentando que o tema precisa estar no centro do debate nacional.
Boulos também destacou ações do governo Lula nas áreas da saúde, trabalho e desenvolvimento econômico para sustentar a comparação com a gestão anterior. Ao abordar a política externa, afirmou que o presidente fortaleceu a soberania nacional ao enfrentar pressões dos Estados Unidos e defender a agregação de valor às riquezas minerais brasileiras.
“Nós defendemos a soberania, essa turma vende a pátria”, disse, em referência aos adversários políticos. Para ele, a trajetória pessoal e política de Lula continua sendo um dos maiores ativos da campanha. “As pessoas podem gostar ou não gostar do Lula, mas têm que respeitar a história do Lula”, afirmou.
“Que honra estar neste ato com o time que combaterá o fascismo no Rio Grande do Sul”, afirmou ao parabenizar Edegar Pretto pelo gesto de aceitar compor ao lado de Juliana Brizola. Ao final, convocou a militância para uma mobilização intensa nos territórios e nas redes sociais, defendendo que a reeleição do presidente seja conquistada já no primeiro turno.
Mobilização nos territórios

Gilberto Carvalho, coordenador executivo da pré-campanha nacional, também agradeceu à esquerda gaúcha pela construção da unidade política que, segundo ele, ajudou a consolidar a aliança nacional em torno da candidatura de Lula. “Vocês não sabem a honra e alegria neste momento, em estar aqui com vocês. E este palco se dá graças à maturidade, porque sabemos que falamos de projetos pessoais. Nós temos essa dívida com vocês e quero falar com Edegar que fez um gesto importantíssimo, e ele sabe do que estou falando. O gesto de vocês não fez bem só para o Rio Grande do Sul, fez bem para o Brasil todo”, afirmou.
A estratégia para a vitória, segundo ele, passa por uma forte mobilização de base. Carvalho anunciou que m breve serão lançados os Comitês Populares nos Territórios. “Não faltará engajamento, nós não podemos esquecer das periferias, o povo que é a razão maior da nossa luta. Nós vamos cobrir este país com nosso amor e militância. Sem participação popular não se constrói a democracia.”
Segundo ele, as grandes ideias não virão da cabeça do Lula, virão dos debates da base, e convidou à militância a se envolver na elaboração do plano de governo. “Reformas estruturais e mudanças profundas no país só serão possíveis com povo organizado e participação ativa da sociedade na construção do programa de governo.”
Lupi lembra legado de Leonel Brizola

Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, relembrou a trajetória de resistência de Lula e reforçou que o Rio Grande do Sul apresenta uma chapa histórica de unidade, inspirada no legado de Leonel Brizola.
“Eu vi as lágrimas da injustiça correr o rosto do povo brasileiro, e por essa injustiça e voltaram à presidência, só passaram duas pessoas: Lula e Mandela”, lembrou.
Lupi defendeu que é preciso ter coragem para fazer enfrentamento político. “Eles usaram e deformaram a rede social com todo tipo de discriminação. Nós não tememos. Nós não podemos jamais voltar a ter o que representa Bolsonaro no poder, não podemos esquecer as mortes da covid, tudo alimentado por uma rede social que só quer lacrar.”
O presidente do PDT também destacou que no “Rio Grande não podemos aceitar que nenhum militante dos partidos progressistas faça campanha só para Manuela ou só para Pimenta, são os dois. Somos o único estado do país com chapa paritária”.
Por fim, afirmou: “Lula vai ganhar no primeiro turno”. “Amigos do Rio Grande, eu quero lembrar e terminar com o que deixaria meu querido Brizola feliz: Brava gente brasileira!”, entoou, finalizando o discurso.
Caminhada conjunta das forças democráticas

Paulo Pimenta, pré-candidato ao Senado, enfatizou a força da Frente Ampla para a vitória. “Nós estamos aqui, caminhando juntos, para enfrentar a extrema direita, para fazer com que o presidente Lula ganhe aqui no RS.”
O deputado federal contou que Boulos chegou em Porto Alegre e foi conversar com os motoristas de aplicativos, foi conversar com motoboys, depois foi na Bom Jesus. “Esta é a pauta real do país. E é por isso que o Lula é presidente, para mudar a vida das pessoas na hora que elas mais precisam. E foi na hora da dificuldade que o Rio Grande pôde contar com o Lula para que nós pudéssemos fazer aqui o trabalho da reconstrução. Eu não sei quem vai ganhar a copa, eu sei que o Lula vai ser tetra esse ano.”
Paulo Pimenta destacou que a união das forças progressistas no Rio Grande do Sul representa um momento histórico para enfrentar a extrema direita, reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reconduzir o campo popular ao Palácio Piratini. Segundo ele, o encontro simboliza a retomada de uma caminhada conjunta das forças democráticas, algo que não ocorria desde a aliança entre Lula e Leonel Brizola.
Pimenta também ressaltou que a campanha deve estar conectada às pautas da vida real, citando o fim da escala 6×1, a valorização dos trabalhadores e a reconstrução do estado após as enchentes. Ao lembrar a atuação do governo federal durante a tragédia climática, afirmou que o povo gaúcho descobriu mais uma vez que podia contar com “o braço forte do Lula” nos momentos de maior necessidade.

O deputado também enfatizou a importância de fortalecer a representação do campo popular no Senado Federal, defendendo uma atuação conjunta com Manuela d’Ávila para suceder o legado de Paulo Paim. “Quem vota Pimenta, vota Manuela; quem vota Manuela, vota Pimenta, e nós vamos os dois para o Senado”, declarou.
Pimenta ainda destacou as propostas apresentadas por Juliana Brizola para educação, saúde, segurança pública e combate ao feminicídio, defendendo a retomada dos investimentos na escola pública e o fortalecimento do SUS.
Em tom de mobilização, conclamou a militância a construir “a campanha mais bonita da história do Rio Grande do Sul”, afirmando que o campo popular defenderá a soberania nacional e derrotará os representantes da extrema direita no estado.
Trajetória comum de resistência

Manuela d’Ávila ressaltou que a unidade construída entre diferentes partidos e movimentos é resultado de uma trajetória comum de resistência, marcada pela luta contra o impeachment de Dilma Rousseff, pela defesa de Luiz Inácio Lula da Silva durante sua prisão e pelo enfrentamento ao governo Bolsonaro.
“Nós passamos por muito juntos. Não foi pouca coisa o que enfrentamos”, afirmou, destacando que a militância foi fundamental para preservar a esperança e garantir a vitória de Lula. Segundo ela, a união das forças progressistas cria as condições para uma grande vitória eleitoral no Rio Grande do Sul, com a reeleição do presidente, a eleição de Juliana Brizola ao Piratini e uma forte representação no Senado.
Manuela defendeu uma campanha baseada no diálogo direto com a população e pediu o engajamento da militância para apresentar os projetos do campo democrático, afirmando que ela e Paulo Pimenta atuarão juntos para fortalecer as mudanças promovidas pelo governo federal.
“Nós temos craque, nós temos o Lula, melhor presidente da história deste país”, declarou, encerrando com um chamado à mobilização: “Vamos para a rua com coragem, com ousadia, mas com a alegria que nos é típica. A nossa alegria militante e a coragem de disputar as nossas ideias é que vão construir a nossa vitória”.



