Esporte

Futebol europeu precisa de inovação e drama, diz investidor de Real Madrid e Barcelona

O futebol europeu precisa de mais jogos com drama e tensão competitiva para manter os fãs interessados e atrair novas audiências para o esporte, de acordo com o chefe do grupo de investimento dos Estados Unidos que apoiou Real Madrid e Barcelona.

Alan Waxman, ex-sócio do Goldman Sachs e co-fundador da Sixth Street, que administra mais de US$ 75 bilhões (R$ 373 bilhões) em ativos, disse que o esporte precisa inovar para atrair um público mais amplo.

“Há cada vez mais formas de entretenimento que as pessoas, especialmente as demografias mais jovens, podem consumir”, disse ele ao Financial Times. “Se você não criar mais drama, você pode começar a perder a base e, uma vez que isso começa, é difícil trazer as pessoas de volta. É por isso que as melhores empresas inovam antes que isso aconteça.”

O grupo de investimento sediado em São Francisco fez negócios em 2022 com os gigantes da LaLiga Barça e Real Madrid. Os dois clubes apoiam um plano para criar uma nova Superliga Europeia para substituir a Liga dos Campeões da Uefa, a competição de clubes mais prestigiosa da Europa.

Waxman, que se recusou a comentar sobre a ESL, espera ver “mais mudanças estruturais no futebol europeu” na busca por mais jogos de consequência que possam animar os fãs.

Na próxima temporada, a Uefa está reformulando o formato da Liga dos Campeões, com o objetivo de reduzir o número de jogos sem consequências.

Waxman alertou que, a menos que os clubes de futebol com marcas globais continuem a investir, correm o risco de perder seu brilho. Clubes que podem ter tido reconhecimento global historicamente podem se tornar “cubos de gelo derretendo porque não fazem as coisas certas do ponto de vista dos negócios e dos fãs e não investem na experiência”, disse ele.

A oportunidade para os clubes é aproveitar novas tecnologias que permitem aos fãs segui-los de onde quer que estejam no mundo, disse Waxman, em uma contínua diversificação de receitas além das vendas de ingressos e dos acordos de televisão tradicionais.

Waxman, que co-fundou a Sixth Street em 2009, também destacou a necessidade urgente de modernizar estádios e outras infraestruturas para dar aos fãs um “centro de encontro”. Real Madrid e Barça estão investindo pesadamente em seus estádios.

A Sixth Street adquiriu uma participação majoritária em uma empresa que detém 25% dos direitos de televisão da La Liga do Barça por 25 anos, permitindo ao clube de propriedade dos membros gerar ganhos de capital e pagar dívidas. Separadamente, a Sixth Street e a Legends, a empresa de eventos ao vivo na qual tem uma participação majoritária, fecharam um acordo com o Real Madrid, que recebeu €360 milhões para investir em todo o negócio.

Os investimentos fazem parte de uma onda de capital privado no esporte mais popular do mundo.

A empresa de private equity CVC Capital Partners financiou as ligas de futebol espanhola e francesa, enquanto investidores dos EUA compraram clubes famosos, incluindo o Milan, da Itália, e o Chelsea, da Premier League.

Além de apoiar dois dos clubes mais famosos do esporte, a Sixth Street comprometeu-se no ano passado com US$ 125 milhões (R$ 622 milhões) para comprar um novo clube da National Women’s Soccer League, agora conhecido como Bay FC.

“A maior oportunidade de crescimento nos esportes nos próximos dez anos será o futebol feminino global”, disse Waxman. “Você já pode ver isso acontecendo, mas isso está apenas começando.”

As lendas do futebol dos EUA Brandi Chastain, Aly Wagner, Danielle Slaton e Leslie Osborne co-fundaram o Bay FC em parceria com a Sixth Street. O clube da NWSL fez uma série de contratações internacionais antes de sua primeira temporada, que começa em março, incluindo a internacional nigeriana Asisat Oshoala, a atacante zambiana Racheal Kundananji, do Madrid CFF, e a defensora escocesa Jen Beattie, do Arsenal.

Folha de São Paulo

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