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Fuzilamento de famintos em Gaza é o Massacre de My Lai do governo Netanyahu

Avi Hyman, porta-voz do governo Netanyahu, testou a versão oficial à imprensa:
“Os caminhões ficaram sobrecarregados, e as pessoas que dirigiam os caminhões, que eram motoristas civis de Gaza, avançaram sobre as multidões, matando, de acordo com o que entendi, dezenas de pessoas”

Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional e um dos delinquentes políticos que integram o gabinete, não se viu obrigado a qualquer cuidado no Twitter:
“Deve ser dado apoio total aos nossos heroicos combatentes que operam em Gaza, que agiram de forma excelente contra uma multidão de Gaza que tentou prejudicá-los”.

COMBINAÇÃO TÓXICA
Um dia antes desse evento tétrico, Thomas Friedman, um dos mais destacados jornalistas judeus do mundo e especialista em Oriente Médio, escreveu no NYT (texto publicado no Estadão):
“Passei os dias mais recentes viajando entre Nova Délhi, Dubai e Omã, e tenho um recado urgente para o presidente Joe Biden e os israelenses: estou vendo a rápida erosão da posição de Israel entre países aliados, um nível de aceitação e legitimidade que foi construído a muito custo ao longo de décadas. E, se Biden não for cuidadoso, o prestígio global dos Estados Unidos vai despencar junto com o de Israel.
Acho que os israelenses e o governo Biden não se dão conta da dimensão da fúria que está fervendo no mundo, abastecida por imagens nas redes sociais e na TV, por causa das mortes de tantos milhares de civis palestinos, em especial crianças, vítimas de armas fornecidas pelos EUA, na guerra de Israel em Gaza. O Hamas tem muito a responder por ter desencadeado essa tragédia humana, mas Israel e EUA são vistos como os responsáveis pelos acontecimentos agora e recebem a maior parte da culpa.
(…)
Um número tão grande de mortes de civis em uma guerra relativamente curta seria problemático em qualquer contexto. Mas quando tantos civis morrem em uma invasão vingativa lançada por um governo israelense sem nenhum horizonte político para o dia seguinte, e então, quando o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, finalmente oferece um plano para o dia seguinte que essencialmente diz ao mundo que Israel pretende agora ocupar indefinidamente tanto a Cisjordânia quanto Gaza, não surpreende que os amigos de Israel comecem a se afastar e a equipe de Biden comece a parecer perdida.
(…)
Mas, agora, temos uma combinação tóxica de milhares de baixas civis e um plano de paz de Netanyahu que promete apenas uma ocupação sem fim, independentemente de a Autoridade Palestina na Cisjordânia ser capaz de se transformar em uma entidade governante legítima, efetiva e de base ampla, capaz de controlar a Cisjordânia e Gaza e, um dia, ser uma parceira na paz.
Com isso, toda a operação israelense em Gaza começa cada vez mais a parecer aos olhos do público como um moedor de carne cujo único propósito é reduzir a população para facilitar o controle de Israel sobre ela.
Netanyahu se recusa até mesmo em pensar em fomentar alguma relação com os palestinos que não são do Hamas, porque se o fizesse, colocaria em risco o cargo de primeiro-ministro, que depende do apoio de partidos de extrema direita que defendem a supremacia judaica e jamais cederão um centímetro da Cisjordânia. É difícil acreditar, mas Netanyahu está pronto para sacrificar a legitimidade internacional de Israel, duramente conquistada, em troca de suas necessidades políticas pessoais. Ele não hesitará em derrubar Biden consigo.
(…)”

INTOLERÁVEL
Todos os aldeões de My Lai eram vietcongs para aquele destacamento americano. E todos os palestinos são Hamas para o governo homicida de Netanyahu. E não estou aqui a fazer uma interpretação. No dia 8 de abril, Avigdor Lieberman, ministro da Defesa, não poderia ter sido mais explícito na disposição de matar: “Não há inocentes em Gaza. Todos recebem um salário do grupo”. Não havendo, então todos são culpados, o que explica a morte de pelo menos 10 mil crianças.

As vítimas de My Lai eram poucas quando se consideram os milhões de mortos no Vietnã. Os EUA só entraram em 1965 num conflito que começara em 1954. Até a reportagem de Seymour Hersh, em 1969, os favoráveis à intervenção ainda conseguiam impor a sua agenda. A coisa começou a virar ali. Até a derrota da grande potência em 1973. Os famintos executados, convenham, são poucos diante dos 30 mil mortos. Mas eles se tornam um emblema do que está em curso na Faixa de Gaza e, em certa medida, na Cisjordânia — progressiva e ilegalmente ocupada por colonos israelenses.

Quando aqueles palestinos só tinham de seu a fome — porque apagadas a sua casa, a sua história, os seus afetos —, um dos Exércitos mais bem treinados no mundo abriu fogo contra eles. No comando da operação, não estavam um certo tenente William Calley ou um tal capitão Medina. Quem comanda o festim diabólico é Netanyahu e seu governo de psicopatas.

Friedman alerta:
“É difícil acreditar, mas Netanyahu está pronto para sacrificar a legitimidade internacional de Israel, duramente conquistada, em troca de suas necessidades políticas pessoais.”

Matéria: UOL Notícias

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