Economia

“Golpe é tanque na rua, é arma, é conspiração”, diz Bolsonaro em discurso na Paulista

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou, neste domingo, a suposta participação em orquestrar um golpe. A fala foi feita durante ato organizado pelo ex-mandatário e que reuniu milhares de apoiadores pelas ruas da capital paulista.

“O que é golpe? Golpe é tanque na rua. É arma. É conspiração. É trazer classes políticas pro seu lado, empresariais. Nada disso foi feito no Brasil”, destacou Bolsonaro, em discurso inflamado.

O mandatário defendeu que o estado de sítio começa quando o presidente convoca os Conselhos da República e da Defesa, o que não teria ocorrido.

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“O golpe é porque tem uma minuta de um decreto de Estado de defesa. Golpe usando a constituição?”, questionou. “Tenha Santa Paciência. Deixo claro que Estado de sítio começa com o presidente convocando os conselhos da República e da Defesa. Isso foi feito? Não”, acrescentou ex-chefe do Executivo.

Em seu discurso, com forte cunho religioso, Bolsonaro lembrou da facada que sofreu em Juiz de Fora antes das eleições e ressaltou o papel fundamental de alguns ministros de seu governo, como o ex-ministro da Economia Paulo Guedes, além do ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas e da ex-ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Teresa Cristina.

O presidente também destacou que o protesto de hoje é uma “fotografia para o mundo do que é a garra e a determinação do povo brasileiro”. “Essa fotografia está sendo inédita para todo o mundo”, concluiu.

A manifestação deste domingo é a primeira de grande porte após a invasão de apoiadores radicais do ex-presidente a prédios dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro do ano passado.

Convocada por Bolsonaro, a intenção do ex-presidente era usar o ato para mostrar a mobilização da opinião pública em relação às suspeitas de que teria orquestrado uma tentativa de golpe. O ex-presidente foi um dos alvos da Operação Tempus Veritatis, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no dia 8 de fevereiro.

Entenda a Operação Tempus Veritatis

A Operação deflagrada pela PF busca apurar a existência de uma organização criminosa que atuou em uma suposta tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito durante a gestão de Bolsonaro. O objetivo era manter o político no poder após a derrota nas eleições de 2022.

A expectativa pelo discurso do ex-presidente era grande. A razão é que, na última quinta-feira (22), Jair Bolsonaro (PL) compareceu à sede da PF para prestar esclarecimentos sobre a suposta tentativa de golpe de Estado, mas se valeu do direito de permanecer em silêncio diante dos investigadores.

A estratégia já havia sido antecipada pela defesa de Bolsonaro. Ao longo da semana, os advogados do ex-presidente tentaram por três vezes adiar o depoimento – mas em todos os casos tiveram o pedido rejeitado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Os advogados alegaram que não tiveram acesso a todas as diligências e provas juntadas aos autos. Eles também solicitaram acesso às mídias digitais do ex-assessor da presidência Mauro Cid, que firmou acordo de delação premiada.

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