Golpes com IA usam voz e rosto de vítimas como uma máscara


Tudo sobre Inteligência Artificial
A inteligência artificial já entrou no repertório dos golpistas no Brasil. Um levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, feito em parceria com a Certta, encontrou relatos de criminosos reproduzindo voz e aparência de pessoas reais para tentar enganar vítimas.
Continua após a publicidade
Entre janeiro e julho de 2026, foram analisadas 39,7 mil menções sobre problemas de segurança digital nas redes sociais. Desse total, 2,8 mil tratavam da manipulação de dados pessoais, enquanto 9,1 mil citavam PIX e transações financeiras ligadas a preocupações com fraudes.

Quando a IA vira ferramenta para golpes
Fotos, vídeos e outros conteúdos publicados na internet podem servir de matéria-prima para reproduzir características de uma pessoa. Com esse material, criminosos conseguem criar identidades falsas ou tentar convencer a vítima de que estão falando com alguém conhecido.
É nesse contexto que aparecem os deepfakes, técnica que usa inteligência artificial para criar ou modificar imagens, vídeos e áudios de maneira realista.
O estudo também revela um contraste: enquanto criminosos já usam ferramentas de IA para se passar por outras pessoas de formas cada vez mais convincentes, os brasileiros ainda tentam entender o que é deepfake e como funcionam os novos tipos de golpe.
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, ao G1.
Troca de chip pode abrir caminho para contas
O SIM swap é outra fraude encontrada pela pesquisa. O criminoso se passa pela vítima e solicita à operadora um novo chip, alegando que o aparelho ou cartão original foi roubado ou danificado.
Leia mais:
Se a troca for concluída, o chip legítimo deixa de funcionar. O número passa a receber chamadas e mensagens no aparelho controlado pelo golpista, que pode tentar usar códigos enviados por SMS para redefinir senhas.
Instagram e WhatsApp estão entre os aplicativos citados na descrição desse tipo de fraude.

Perfis falsos miram compradores de ingressos
A pesquisa ainda identificou contas falsas utilizadas para anunciar ingressos de shows que, na realidade, não existem. Para dar aparência de legitimidade às ofertas, os criminosos usam dados de outras pessoas na criação dos perfis.
O alvo pode ser alguém que publicou nas redes sociais estar procurando ingressos. A partir daí, a oferta fraudulenta chega justamente a quem demonstrou interesse em comprar.
Os golpes identificados incluem:
- Reprodução de voz ou aparência com inteligência artificial;
- Criação de identidades falsas;
- Fraudes por meio de SIM swap;
- Uso de códigos enviados por SMS para tentar redefinir senhas;
- Venda de ingressos falsos por perfis aparentemente legítimos.
Continua após a publicidade
“Identificar essa lacuna entre o avanço da tecnologia e a familiaridade da sociedade com o assunto é o primeiro passo para proteger o ambiente digital”, completa Tokarski.
Os relatos reunidos pela Nexus mostram que recursos disponíveis na internet podem ser usados para tornar diferentes tipos de fraude mais convincentes — e nem sempre é fácil perceber quando uma abordagem aparentemente legítima esconde um golpe.

Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
Olhar Digital



