Grécia rejeita acordo que reconheça propriedade britânica dos Mármores do Partenon

A Grécia não aceitará nenhum acordo sobre as disputadas esculturas do Partenon que implique reconhecer a propriedade das peças pelo Museu Britânico, segundo o primeiro-ministro do país, Kyriakos Mitsotakis.
“A Grécia não pode aceitar qualquer acordo que a obrigue a reconhecer a propriedade das esculturas pelo Museu Britânico, nem um arranjo que signifique que nós ‘emprestaremos’ partes do nosso próprio monumento”, escreveu o premiê em um artigo de opinião publicado pelo Guardian na quinta-feira.
Mitsotakis citou uma declaração feita em 2023 pelo novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, sobre a resolução da disputa de 200 anos por meio da devolução das esculturas, “sem condições”, dizendo que “não poderia concordar mais”.

Os Mármores do Partenon são um conjunto de esculturas e frisos criados pelo escultor grego Fídias no século 5º a.C.
As peças foram retiradas da Acrópole de Atenas no início do século 19 por agentes do 7º Conde de Elgin, que havia sido embaixador britânico em Constantinopla — então capital do Império Otomano — quando a Grécia estava sob domínio otomano.
Leia mais: [Starmer sinaliza que não bloqueará acordo para devolver os Mármores do Partenon]
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Os governos britânico e grego há muito discordam sobre a propriedade das esculturas e sobre se elas devem permanecer em Londres. Desde que a Grécia conquistou a independência do Império Otomano, em 1832, o país pede repetidamente sua devolução. A disputa ganhou força nos últimos anos, em parte porque a Grécia construiu um museu dedicado às peças, antecipando seu retorno.
Os mármores foram uma fonte de tensão entre Mitsotakis e o último primeiro-ministro conservador, Rishi Sunak. Seu sucessor, Keir Starmer, sinalizou que o governo britânico não bloquearia um possível acordo para devolvê-los, segundo informou a Bloomberg no fim de 2024.
Bayeux
A Tapeçaria de Bayeux está atualmente em exibição no Museu Britânico.
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A peça, que retrata a conquista normanda da Inglaterra há cerca de mil anos, está na França desde pelo menos 1476. Sua exposição no Museu Britânico despertou grande interesse do público britânico e provocou reações negativas na França.
Ao comentar o acordo envolvendo a Tapeçaria de Bayeux, Mitsotakis rejeitou a possibilidade de usá-lo como precedente. Ele afirmou estar “surpreso” com uma sugestão recente do Museu Britânico de que o empréstimo poderia servir de modelo para um acordo sobre as esculturas do Partenon.
“Não acredito que seja esse o caso”, afirmou.
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“O que é necessário agora é vontade política e coragem para dar o passo decisivo, reunir as esculturas e transformar uma disputa histórica em um ato único de amizade cultural”, acrescentou.
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