Política

Grupo de revisão de acordos na PGR tem expoentes da Lava Jato

Procuradores que tiveram papel de destaque na Lava Jato foram incluídos em um grupo de trabalho da Procuradoria-Geral da República que vai analisar acordos de leniência e não persecução para empresas.

O grupo foi criado em novembro do ano passado pelo subprocurador Alexandre Camanho, coordenador da 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal e tem 24 nomes.

Entre eles está Januário Paludo, que dava nome a um grupo de Telegram criado por colegas procuradores da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba (“filhos de Januário”).

Informações acessadas por um hacker e vazadas mostraram proximidade dos seus integrantes com o então juiz Sergio Moro.

Também faz parte Jerusa Viecili, que ficou conhecida por ironizar a morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia, em 2017, também em diálogo hackeado na chamada Vaza Jato. Ela depois pediu desculpas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Outra nomeada para o grupo que compôs a força-tarefa é a procuradora Isabel Groba.

Coordenador do Prerrogativas, que se destacou na oposição à Lava Jato, o advogado Marco Aurélio Carvalho diz que é preocupante a inclusão de procuradores que participaram da operação em um GT criado na gestão do procurador-geral Paulo Gonet, nomeado por Lula em setembro.

“Reiteramos o respeito e a confiança pelo procurador Gonet, mas recebemos com preocupação a indicação de procuradores que atuaram numa operação cujos excessos e irregularidades estão sendo revistos”, declarou.

A PGR afirma que as vagas para a composição deste e de outros GTs foram disponibilizadas mediante edital, com os primeiros nomes inscritos tendo sido chamados.

Segundo o órgão, o grupo avaliará futuros acordos de leniência, não os atuais ou anteriores, entre os quais estão os firmados pela Lava Jato. “Os procuradores da República deste grupo não estarão presentes em eventuais renegociações”, diz em nota.

A PGR afirma ainda que o grupo foi criado para analisar, sem caráter vinculante, novos acordos. “Não há possibilidade legal de veto a membros do MPF nestas circunstâncias e tampouco prestígio a integrantes por quaisquer motivos”, acrescenta.

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Folha de São Paulo

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