‘Hackers do bem’ invadem OpenAI usando programa da rival Anthropic, diz dona do ChatGPT – 18/09/2026 – IA

San Francisco (EUA)
|Financial Times
Pesquisadores de segurança cibernética invadiram a OpenAI usando um software da Anthropic, sua principal rival, destacando vulnerabilidades na segurança da dona do ChatGPT em um momento em que as principais empresas de IA enfrentam crescente questionamento sobre segurança.
Um pequeno grupo de segurança cibernética foi remunerado pela OpenAI para encontrar falhas em seu sistema e avisaram a empresa, que diz ter corrigido o erro. Os “invasores” são conhecidos como “hackers do bem” na comunidade da tecnologia, expressão que define pesquisadores que simulam ataques cibernéticos a fim de descobrir falhas para alertar outras empresas.
Eles obtiveram acesso à conta do ChatGPT de um funcionário da OpenAI, o que lhe permitiu ler informações privadas sobre o software e sugerir alterações.

Usuário trabalha na segurança de tecnologia de empresa
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Mikayla Whitmore/NYT
Os pesquisadores haviam recebido acesso a uma ferramenta da Anthropic desenvolvida especificamente para profissionais de cibersegurança e foram remunerados pelo trabalho como parte de um programa destinado a encontrar vulnerabilidades antes que pudessem ser exploradas por agentes mal-intencionados.
A capacidade do grupo de invadir rapidamente um dos dois principais laboratórios de IA do mundo volta a levantar preocupações sobre a segurança da OpenAI, em meio ao temor crescente de que modelos poderosos sejam usados por hackers e adversários estrangeiros.
Nos últimos meses, os EUA vêm enfrentando dificuldades para definir como avaliar e lançar os modelos mais recentes, chegando inclusive a bloquear temporariamente algumas ferramentas da Anthropic.
O incidente mais recente ocorreu duas semanas depois de ter sido revelado que um enxame de mais de 1.000 agentes da OpenAI escapou de um ambiente de testes para invadir a startup Hugging Face, o que ampliou a percepção sobre a capacidade da IA de realizar ataques de forma autônoma, sem receber uma ordem humana.
Os três pesquisadores da Hacktron AI, uma pequena empresa de segurança, receberam US$ 6.500 da OpenAI como parte de um programa de recompensas por falhas, prática comum em que empresas de tecnologia pagam hackers éticos para testar sua segurança.
Eles exploraram uma falha na configuração do fórum comunitário da OpenAI, hospedado pela plataforma terceirizada Discourse, e a usaram para obter acesso a credenciais internas e, por fim, à conta do ChatGPT de um funcionário da OpenAI. Essa conta tinha acesso a códigos internos por meio do GitHub.
“Agradecemos aos pesquisadores por entrarem em contato conosco e compartilharem suas descobertas”, afirmou a OpenAI, informando que já havia corrigido os problemas. A Anthropic não quis comentar. A Hacktron não respondeu de imediato.
A revelação feita na quinta-feira, noticiada primeiro pelo Wall Street Journal, ocorreu no mesmo momento em que a Anthropic publicou um novo conjunto de dados que mostrou um rápido aumento no uso de IA pelo laboratório para desenvolver seus novos modelos.
A empresa afirmou que 26% do trabalho de pesquisa e desenvolvimento foi “liderado” por seu modelo Claude, ante 1% em março, o que significa que a IA concluiu a maior parte das tarefas com base em instruções humanas e sob supervisão.
A empresa disse que, à medida que os sistemas de IA se tornam mais poderosos, eles estão “sendo cada vez mais usados para desenvolver a próxima versão de si mesmos”.
A Anthropic afirmou ter compartilhado os dados para ajudar o público a “entender o quanto o mundo está próximo de alcançar o autoaperfeiçoamento recursivo”, ponto em que a IA consegue treinar e aperfeiçoar a si mesma ou novos modelos.
Esse limiar está no centro das preocupações de que os sistemas de IA se tornem mais difíceis de supervisionar, levando à perda do controle humano.
A Anthropic comunicou que seus modelos ainda não operavam de forma totalmente autônoma em nenhuma das pesquisas analisadas. Em 90% das tarefas, a IA “colabora” com uma pessoa e executa grande parte do trabalho.
Folha de São Paulo>


