Política

Indígenas perdem uma cadeira na Câmara e são 0,6% dos deputados

Nas eleições deste domingo (4), três candidatos autodeclarados indígenas foram eleitos para as 513 cadeiras da Câmara dos Deputados, ante quatro em 2022. Com isso, eles serão 0,6% dos deputados federais. No pleito anterior, eram 0,8%.

Nas Assembleias Legislativas, os deputados estaduais autodeclarados indígenas passaram de dois para quatro em um total de 1.059 cadeiras pelo país. No Senado, nenhum dos 54 eleitos neste ano se declarou indígena.

O levantamento considera a raça que os candidatos declararam no registro de candidatura ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Não são contabilizados, portanto, candidatos que se autodeclararam pardos, por exemplo.

De acordo com o Censo 2022, a população indígena residente no Brasil é de mais de 1,6 milhão de pessoas, correspondendo a 0,83% da população total levantada pela pesquisa.

Os três deputados indígenas eleitos na Câmara são de partidos de esquerda, PT e PSOL, numa Casa em que 59,1% dos parlamentares estão em siglas de direita. Nas Assembleias, são dois deputados do PT e dois do PL.

Entre os sete indígenas eleitos, há três mulheres.

Na Câmara, a redução aconteceu após Célia Xakriabá (PSOL-MG) não conseguir se reeleger. Os outros três eleitos em 2022 renovaram o mandato, o que inclui Sonia Guajajara (PSOL-SP), primeira mulher indígena eleita deputada federal por São Paulo naquele ano. A ex-ministra dos Povos Indígenas pelo governo Lula se elegeu com 54.207 votos.

Nas redes sociais, Célia Xakriabá celebrou a reeleição de Guajajara. “A bancada do cocar segue firme”, publicou.

Além de Sonia, Paulo Guedes (PT-MG) foi o 11º deputado mais votado em Minas Gerais, com 126.974 votos, e, em São Paulo, Juliana Cardoso (PT-SP) ficou em 45º lugar, com 111.904 votos.

No Senado, os 54 eleitos em 2026 se declararam brancos (38) ou pardos (16). Entre os candidatos à Casa, 1,3% se autodeclararam indígenas.

A Casa tem hoje um autodeclarado indígena. Trata-se do ex-vice presidente de Jair Bolsonaro, Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que não disputou a eleição neste ano.

Dos quatro deputados estaduais indígenas eleitos, Índia Armelau, no Rio de Janeiro, e Capitão Assumção, no Espírito Santo, são do PL e foram reeleitos.

Índia Armelau foi a deputada estadual mais votada do Rio de Janeiro, com 248.504 votos. Capitão Assumção (PL) ficou em segundo lugar no Espírito Santo, com 60.097 votos.

O partido elegeu a maior bancada, com 121 deputados federais. Trata-se da sigla do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, que terminou o primeiro turno da eleição à frente do presidente Lula (PT), com 47,03% dos votos ante 45,16% do petista.

Limma, 8º mais votado do Piauí, e Clóvis Curubão, no Amazonas, são do PT. Nenhum dos dois Estados havia eleito deputado estadual indígena em 2022. Limma teve 54.246 votos e Clóvis Curubão, 34.869.

O PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, é a segunda sigla com mais deputados federais eleitos: 70. Em seguida, aparece o União Brasil, com 46. O PSD é o seguinte, com 43 eleitos, seguido por PP e Republicanos, com 41 cada.

Folha de São Paulo

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