Saúde

Infecção por vírus sincicial respiratório cresce 45,7% em 8 dias em SP

O outono e o inverno são marcados pelo aumento de infecções respiratórias. Em crianças, principalmente menores de dois anos, os pais devem ter atenção redobrada com o VSR (vírus sincicial respiratório). Este vírus é responsável por 75% das bronquiolites e 40% das pneumonias nos pequenos, segundo especialistas.

A bronquiolite é uma infecção nos bronquíolos, que levam o ar aos pulmões. A doença começa com um resfriado comum, mas tem possibilidade de agravamento. Os sinais são tosse persistente, febre alta, chiado no peito, dificuldade respiratória, e lábios e unhas arroxeados.

“Há outros vírus que causam a mesma doença. A bronquiolite pode ser causada pelo parainfluenza, até pelo vírus influenza, que podem dar um quadro semelhante. A grande maioria é pelo vírus sincicial. Em uma criança com quadro de bronquiolite e falta de ar, a chance de ser vírus sincicial respiratório é de 70% a 80%”, destaca Renato Kfouri, pediatra infectologista e presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Até 13 de março, a Secretaria de Estado da Saúde confirmou 354 casos de Srag (síndrome respiratória aguda grave) por VSR em crianças menores de 6 meses até 6 anos e 11 meses no estado de São Paulo. No dia 21, esse número já era de 516 –45,7% maior.

Nos hospitais estaduais infantis Cândido Fontoura (zona leste) e Darcy Vargas (zona sul), até 21 de março deste ano, foram contabilizadas 30 internações de menores de um ano, e nove de crianças na faixa de um a quatro anos.

No Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, gerenciado pela Prefeitura de São Paulo em parceria com o Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês, até 20 de março, 56 crianças foram hospitalizadas com o vírus sincicial respiratório. Destas, 41 eram menores de um ano.

Dados do Ministério da Saúde também evidenciam alta. De acordo com o informe de vigilância das síndromes gripais, dos 6.976 casos de Srag com identificação etiológica até 16 de março, 17% foram causados pelo VSR.

No acumulado até a semana anterior (11 de março), 13% das 5.490 infecções por Srag foram confirmados para o vírus sincicial.

É importante ressaltar que as infecções respiratórias não são de notificação compulsória, a não ser que sejam classificadas como Srag. Além disso, no Brasil, as informações sobre os dados epidemiológicos, com resultados laboratoriais de VSR, ocorrem de maneira amostral.

“O vírus sincicial respiratório é muito frequente, principalmente em crianças pequenas. Para se ter uma ideia, cerca de 40 a 60% das crianças são infectadas por ele no primeiro ano de vida e praticamente 100% serão acometidas até completarem os dois anos de idade”, alerta Renato Kfouri.

“Mas existem formas de prevenção simples, como lavagem frequente das mãos com água e sabão, e evitar contato próximo com pessoas doentes. Além disso, é importante ter uma atenção redobrada com grupos de risco específicos, como bebês prematuros ou com doenças crônicas cardiorrespiratórias”, afirma Kfouri.

Limpar objetos que podem estar contaminados, como brinquedos, também previnem a transmissão do vírus.

“Como a maioria dos vírus respiratórios, o VSR é transmitido através do contato direto, se eu estiver próximo de alguém —estou falando de 1,5 metro de distância— ou indireto, e isso preocupa principalmente os hospitais”, explica a infectologista do instituto Emilio Ribas e coordenadora do Comitê de Imunizações da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), Rosana Richtmann.

Se a minha mão estiver contaminada —e ele [o VSR] sobrevive nas nossas mãos por horas, sobrevive em luva, em botão de elevador, em estetoscópio—, então eu tenho uma forma indireta também de acabar tendo essa transmissão, que entra pela mucosa da boca, do nariz e dos olhos”, diz Richtman.

O Ministério da Saúde tem um programa estratégico para prevenção da infecção pelo VSR em crianças que correm o risco de desenvolver quadros graves —as que nasceram com menos de 28 semanas de idade gestacional, ou com até dois anos que tenham cardiopatia congênita ou doença pulmonar crônica da prematuridade descompensadas.

Nestes casos, a prevenção é feita com o anticorpo monoclonal palivizumabe, administrado mensalmente durante cinco meses no período da sazonalidade —que pode variar de fevereiro a agosto de acordo com a região). Os pediatras ou neonatologistas que acompanham os bebês devem indicá-los para receber o medicamento.

Em março, a Astrazeneca lançou a campanha “Bye Bye Bronquiolite”, que tem o objetivo de intensificar a conscientização dos pais principalmente no período de maior circulação do VSR. A ação deverá durar ao longo de 2024.

Informação

Folha de São Paulo

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