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Inteligência artificial é ameaça maior para quem faz home office, diz pesquisador

Muito antes da pandemia de Covid-19 normalizar o trabalho em casa, Nicholas Bloom, professor de economia na Universidade de Stanford, analisava os números sobre o assunto. Mas mesmo o maior defensor do trabalho híbrido na instituição ficou surpreso com o quanto ele se consolidou.

Sua pesquisa mais recente mostra que 60% dos americanos e parte dos europeus não têm opção de trabalho remoto, como pessoas que trabalham em restaurantes ou são motoristas para sobreviver.

Outros 30% atuam de forma híbrida, trabalhando em casa dois dias por semana, e os 10% restantes são totalmente remotos.

“Os funcionários geralmente querem trabalhar em casa cerca de três dias por semana”, afirmou o pesquisador. “Se você entrevistar gerentes sêniores, eles querem mais um dia. Então você tem essa quase barganha.”

Para Bloom, dois dias em casa é o ideal.

“Pense em uma semana típica: segunda-feira e sexta-feira, estou em casa. Economizo no deslocamento. É tranquilo, recarrego as energias. Tenho tempo para responder emails, ler, escrever”, afirmou. “Terça, quarta e quinta-feira, estou no escritório —muita orientação, reuniões, apresentações.”

Em entrevista, Bloom falou sobre como a revolução do home office continua e por que os trabalhadores remotos estão mais ameaçados de serem substituídos por robôs.

O sr. chamou o que estamos vivendo de um experimento social em massa nas relações de trabalho, e a velocidade e escala disso é o que é surpreendente e importante, não é?

Eu não acho que tenha havido algo tão grande e rápido desde a Segunda Guerra Mundial. O que vimos foi milhões de homens indo lutar. Milhões de mulheres foram chamadas para trabalhar em fábricas, lojas e governos.

E a sociedade descobriu o que é óbvio agora —mas não era óbvio naquela época— que as mulheres podem fazer esses trabalhos tão bem quanto os homens e, em muitos casos, melhor. Isso ficou.

Os homens voltaram, e a participação da força de trabalho feminina aumentou. É a única outra coisa semelhante porque a pandemia gerou esse grande aumento e todos viraram e disseram: ‘Uau, esse trabalho em casa não é perfeito, mas deveríamos estar fazendo muito mais do que costumávamos’.

Com a IA agora no ambiente de trabalho, quanto isso impactará o futuro do trabalho em casa e nossa segurança no emprego?

Se você trabalha híbrido, está indo para o escritório, digamos, três dias por semana. A IA provavelmente ajuda você. Torna você mais produtivo. Ajuda você a projetar e escrever coisas.

Então, para os trabalhadores híbridos, não vejo a curto prazo que seja realmente uma ameaça.

É muito diferente se você estiver totalmente remoto. A IA potencialmente —especialmente se você estiver fazendo um trabalho repetitivo e relativamente básico— pode substituir seu emprego.

Se você pensar em IA, o lado do software ou o lado visual ou de voz é realmente muito bom. Se isso fosse uma chamada do Zoom, eu poderia quase ser uma IA. Depois que eu não respondesse muito bem, você poderia descobrir.

Se eu estivesse pessoalmente, o robô que me substitui é muito desajeitado e nunca vai funcionar. Se você pensar em entrada de dados, centrais de atendimento, RH, folha de pagamento —esse tipo de coisa totalmente remota— muito disso pode ser substituído por IA em cinco a dez anos.

Qual foi o dado mais surpreendente que o sr. descobriu em todas essas pesquisas?

É que o trabalho em casa funcionou tão bem. Se você me perguntasse: ‘Se houver uma pandemia global e todos fossem forçados a ficar em casa, o que acontecerá?’ Eu provavelmente teria dito que seria o caos. A economia entraria em colapso.

Como aconteceu, funcionou surpreendentemente bem. Em 2023, provavelmente estivemos melhores. A produtividade é um pouco maior para algumas pessoas que são híbridas.

Então, fiquei simplesmente surpreso com o quão bem funcionou e isso faz você pensar, o que mais está lá fora que devemos mudar?

Folha de São Paulo

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