Irmão admite que mentiu sobre morte de empresário em GO

O irmão do empresário Wilker Renato Almeida da Silva, de 29 anos, deverá ser indiciado por falso testemunho após admitir que mentiu sobre a existência de R$ 1 milhão no carro da vítima, que morreu com as duas filhas em um acidente na BR-414, em Cocalzinho de Goiás. A Polícia Civil encontrou cerca de R$ 67 mil no veículo e identificou outras inconsistências no depoimento do homem.
Segundo o delegado Carlos Alfama, responsável pelo Grupo de Investigações de Homicídios (GIH) de Cocalzinho de Goiás, o irmão voltou à delegacia para prestar um novo depoimento e admitiu que havia mentido sobre a quantia. Conforme o investigador, ele afirmou que inventou a história para evitar que a ex-mulher de Wilker tivesse acesso ao dinheiro por meio do inventário.
Apesar de o valor de R$ 1 milhão não ter sido confirmado, a investigação constatou que havia dinheiro dentro do veículo. Cerca de R$ 67 mil foram encontrados após o carro precisar ser serrado para permitir o acesso ao interior.
O dinheiro foi localizado na presença de policiais e funcionários da Ecovias e, posteriormente, colocado em um invólucro plástico apropriado, lacrado e apreendido pela Polícia Civil.
A investigação também apurou o relato de uma testemunha que mantinha contato com o irmão de Wilker para tratar sobre o acidente. Segundo ela, foram vistos dois cheques que, juntos, somariam quase R$ 1 milhão.
De acordo com o delegado, porém, os cheques seriam utilizados como garantia de pagamento em empréstimos que Wilker realizava a juros. Por isso, não é possível afirmar que os documentos representassem R$ 1 milhão disponíveis em dinheiro ou que tivessem saldo suficiente para serem compensados.
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Para esclarecer a versão apresentada inicialmente pelo irmão da vítima, Alfama também solicitou uma perícia para verificar a capacidade do porta-luvas e de outros compartimentos do veículo. A intenção é verificar se seria possível acomodar R$ 1 milhão nos locais onde os valores foram encontrados.
Segundo o delegado, a informação sobre o suposto desaparecimento da quantia milionária precisava ser esclarecida porque levantou dúvidas sobre a atuação das equipes envolvidas no atendimento, resgate e retirada dos corpos após o acidente.
Caminhão também será alvo de indiciamento
Além da apuração sobre o dinheiro, a Polícia Civil concluiu diligências relacionadas às circunstâncias do acidente que matou Wilker e as duas filhas.
Segundo Carlos Alfama, o caminhão envolvido na colisão tinha nove eixos e não poderia trafegar durante a noite. A investigação apontou que o proprietário do veículo teria dado a ordem para que o transporte da carga fosse realizado naquele horário.
O motorista também teria realizado uma ultrapassagem em local proibido.
Diante das conclusões, o proprietário do caminhão e o motorista deverão ser indiciados por três homicídios culposos, um para cada vítima.
O caso continua sob investigação na Delegacia de Polícia de Cocalzinho de Goiás. Diversas testemunhas já foram ouvidas, e a Polícia Civil segue com os procedimentos relacionados aos indiciamentos.
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