Esporte

Italianos órfãos da ‘Azzurra’ torcem pelo Brasil e pela Espanha na Copa do Mundo, aponta pesquisa

Ausente pela terceira Copa do Mundo consecutiva, a seleção italiana continua a deixar um vazio profundo entre os seus torcedores.

Segundo uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (11) pelo instituto SWG, a maioria dos italianos vive o torneio com uma mistura de frustração, nostalgia e um certo distanciamento, ainda que muitos pretendam acompanhar a competição.

Segundo o levantamento, realizado online de 3 a 5 de junho com 800 entrevistados, 75% dos italianos declararam sentir-se “tristes e nostálgicos” pela ausência da Azzurra, nome pelo qual se conhece a seleção italiana, eliminada na final da repescagem europeia pela Bósnia e Herzegovina.

A terceira ausência consecutiva da tetracampeã mundial na principal competição confirma uma crise esportiva que ainda repercute no país.

Apesar do desalento, o futebol continua a exercer o seu poder de atração: 59% dos entrevistados afirmaram que acompanharão a Copa do Mundo, cuja edição atual é disputada no México, nos Estados Unidos e no Canadá.

Por outro lado, 19% declararam que não assistirão ao torneio sem a Itália, evidenciando um desapego significativo de parte da torcida.

Italianos torcerão por Ancelotti

Sem a sua seleção nacional, muitos italianos procuram novos motivos para se envolver com a competição.

Nesse cenário, o Brasil e a Espanha despontam como os favoritos: 17% dos entrevistados pretendem torcer pela seleção brasileira, impulsionados sobretudo pela presença do técnico italiano Carlo Ancelotti à frente da equipe. Logo atrás, a Espanha aparece com 16% das preferências.

Outras seleções também despertam interesse, ainda que em menor escala. A Argentina reúne 10% da torcida, enquanto França e Inglaterra contam com 5% cada uma.

Um dado significativo revela, no entanto, a dificuldade de identificação com o torneio: 35% dos italianos que assistirão à Copa disseram não ter nenhuma seleção favorita.

O sentimento de desorientação não está restrito à população em geral. Ele também é compartilhado por figuras públicas e autoridades do país. O ministro italiano do Esporte, Andrea Abodi, resumiu o clima à rádio pública Rai Radio 1.

“Do ponto de vista esportivo, é incrivelmente decepcionante. Estamos um pouco desorientados.” Ainda assim, revelou suas preferências: “Vou torcer pelo Brasil de Ancelotti, mas também por Cannavaro e Montella, técnicos do Uzbequistão e da Turquia”.

A ligação emocional com treinadores e jogadores italianos atuando no exterior tornou-se um fator relevante na escolha de novos favoritos.

A atriz Cristiana Capotondi, ex-chefe de delegação da seleção feminina italiana, também destacou essa relação ao jornal La Repubblica: “Torço pelo Brasil de Carlo Ancelotti, que representa uma parte da Itália que participa da competição”.

Essa identificação, contudo, não elimina o sentimento de perda. Capotondi admite que a ausência da Itália compromete o interesse pelo torneio: “Depois disso, tentarei assistir ao mínimo possível desta Copa do Mundo, porque é incrivelmente triste que a Itália não esteja lá”.

Futuro da Itália

Outros setores da sociedade compartilham a mesma percepção.

O astrofísico Amedeo Balbi, em declarações ao La Repubblica, reconheceu uma ligação mais distante com o evento: “Admito que, quando a Itália não está jogando, não acompanho a competição muito de perto”.

Ainda assim, ele menciona uma simpatia por equipes com jogadores do seu clube de coração, a Roma, além do Brasil de Ancelotti.

A ausência da Itália, uma das seleções mais vitoriosas da história do futebol, continua a levantar questionamentos sobre o futuro do esporte no país.

Enquanto a Federação Italiana tenta reconstruir a competitividade da equipe, os torcedores vivem uma relação ambivalente com a Copa do Mundo, divididos entre o hábito de acompanhar o futebol e o vazio deixado pela equipe nacional.

Nesta edição do torneio, a torcida italiana parece encontrar consolo sobretudo em vínculos indiretos, seja por meio de treinadores compatriotas ou de laços culturais com outras seleções.

Mas, como indicam os números e os depoimentos, nada substitui a presença da Azzurra em campo.


Esporte / Folha de São Paulo

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