JPMorgan vê taxa de papéis do Tesouro em até 15,5% após reeleição de Lula

O JPMorgan projeta que as taxas dos títulos públicos brasileiros podem chegar a 15,5% em um cenário pessimista após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (25), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Os analistas avaliam que o resultado das eleições deve pressionar os juros no Brasil, mas preferem esperar a reação do mercado na sessão desta segunda-feira (26) antes de mudar a recomendação para os papéis do Tesouro em reais.
O motivo da cautela é o tamanho do ajuste que pode ocorrer logo de saída. “A reprecificação do primeiro dia pode ser considerável, como foi após o primeiro turno”, explica o banco.

Por ora, no entanto, o banco já toma a decisão de rebaixar a recomendação para a dívida soberana brasileira em dólar de neutra para underweight (equivalente a venda), e passa a recomendar uma exposição menor aos títulos da dívida externa do país.
O JPMorgan aponta que os títulos brasileiros vinham se saindo melhor do que os de países com nota de crédito semelhante, o que deixa menos espaço para ganhos. O banco também cita o maior peso das emissões no exterior no financiamento do governo.
Na visão dos analistas, esse quadro deixa os papéis do país “expostos a uma correção significativa, a menos que (e até que) a pressão do mercado leve a concessões fiscais”. Com a mudança, o banco também encerra a recomendação anterior de apostar na estabilidade do risco Brasil por meio de CDS (credit default swap), espécie de seguro contra calote.
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Empresas sólidas seguem na carteira
No crédito corporativo, o JPMorgan mantém a recomendação overweight (equivalente a compra) para títulos de empresas brasileiras com grau de investimento, consideradas boas pagadoras. Segundo o banco, são companhias que devem resistir bem ao cenário atual e podem até atrair investidores que decidirem sair de papéis brasileiros mais arriscados.
Já para os títulos de empresas com classificação de risco mais baixa, os chamados high yield, a recomendação passa a ser underweight. O banco observa que esses papéis resistiram melhor que seus pares nos Estados Unidos e em outros emergentes durante a recente piora do mercado e que o ambiente negativo, agora reforçado, justifica uma postura mais cautelosa.
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