Economia

Juros do rotativo em queda sinalizam que Desenrola começa a surtir efeito

A redução do rotativo por si só é uma boa notícia, mas é ainda mais representativa quando tem um crescimento nas operações do crédito à vista. Significa de fato que as pessoas estão saindo do cartão rotativo, seja pelo seu próprio esforço ou por uma ação mais forte das instituições financeiras de oferecerem novas linhas.
Fernando Rocha, chefe do departamento de estatísticas do BC

A taxa de juros no cartão de crédito continua sendo a mais alta entre as opções para pessoa física, mas a sua queda é a maior depois das operações de leasing. Entre fevereiro de 2023 e fevereiro de 2024, a taxa média de juros cobrada no cartão de crédito recuou de 96,1% ao ano para 84,9% ao ano. No rotativo, a redução foi de 420,4% ao ano para 412,5% ao ano — a menor taxa desde dezembro de 2022.

A taxa de inadimplência no crédito para pessoa física está em tendência de baixa. No combinado das modalidades, o calote era de 6,1% em fevereiro de 2023, atingiu o pico anual de 6,3% em junho e recuou para 5,5% em fevereiro de 2024. No rotativo do cartão, o calote, que era de 44% em fevereiro de 2023, atingiu o pico anual de 54,9% em outubro e caiu para 52,6% em fevereiro de 2024.

De onde vem a melhora?

A queda da taxa básica Selic nos últimos meses tem ajudado a melhorar o mercado de crédito no país de maneira geral. Desde agosto de 2023, o BC cortou a Selic em 3 pontos percentuais, de 13,75% ao ano para 10,75% ao ano.

No caso do cartão de crédito, a lei do Desenrola está ajudando, de acordo com especialistas. O PL 2.685/2022, que teve como relator o deputado federal Alencar Santana (PT-SP), foi aprovado no Congresso Nacional em outubro de 2023. Essa lei criou um programa nacional de renegociação de dívidas, apelidado de Desenrola, e colocou um limite nos juros cobrados no rotativo do cartão. A partir de janeiro deste ano, o montante de juros cobrados de um cliente que entra no rotativo do cartão não pode passar de 100% da dívida original. Ou seja, não importa o valor nominal da taxa de juros que o banco estabelece — quando o total da dívida em reais dobrar, o banco não pode mais cobrar nem um centavo além.

Matéria: UOL Economia

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