Política

Kassio e Mendonça se reúnem com Meta após polêmicas sobre canais e IA que favorece Flávio

Os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, respectivamente presidente e vice-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), se reuniram nesta quinta-feira (15) com representantes da Meta, empresa de tecnologia americana dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp.

A audiência, que não constava nas agendas oficiais, ocorreu após vir a público que a Meta AI, ferramenta de inteligência artificial da companhia, se recusa a criar material de campanha para Lula (PT), mas atende a pedidos semelhantes relacionados a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como mostrou a coluna Mônica Bergamo.

O encontro dos ministros com a Meta também vem na esteira de uma articulação feita pelas duas campanhas para regulamentar o uso dos canais de WhatsApp, com foco em uma atuação mais efetiva da plataforma para moderar postagens, coibir impulsionamento irregular e evitar a propagação de fake news.

Controvérsias jurídicas sobre os canais “Exército do Lula” e “Tropa do Flávio” marcaram os últimos dias no TSE, com direito a guerra de liminares entre Kassio e o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, sobre censurar ou não a ferramenta de apoio à reeleição do presidente.

Após a reunião, na sessão plenária, o TSE decidiu derrubar a regra que exigia uma espera de 48 horas para reativar canais de WhatsApp após a regularização dos registros dos endereços pelas campanhas dos candidatos.

A mudança na resolução ocorre um dia depois de Kassio ser cobrado pelo PT a dar tratamento igualitário aos dois canais. Como mostrou a Folha, o ministro estabeleceu o prazo para que o “Exército do Lula” voltasse a funcionar, enquanto o “Tropa do Flávio” não sofreu suspensão.


Em relação à produção de materiais por IA, testes feitos pela Folha com o chatbot da Meta mostraram respostas diferentes para solicitações de cartazes e peças de propaganda dos dois candidatos à Presidência da República.

No pedido para que a ferramenta criasse um cartaz com a frase “Lula 13”, o chatbot se recusou a gerar a imagem, sem dar explicações. Já o comando para a elaboração de um cartaz verde e amarelo com os dizeres “Flávio 22” foi atendido.

Após a publicação da reportagem, a Meta afirmou ter tomado medidas para evitar a disparidade e proibir a criação de imagens para qualquer candidato. Ainda assim, em novos testes, a ferramenta continuou a atender pedidos relacionados a Flávio, mas não os de Lula.

Procurada novamente, a Meta reiterou sua posição. “Proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles. Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens.”

Diante da repercussão das respostas da Meta AI, a campanha de Lula apresentou uma petição ao TSE acusando a Meta de interferir na disputa eleitoral em favor do filho de Jair Bolsonaro, ex-presidente condenado e preso por tentativa de golpe de Estado.

Nem o TSE nem a Meta informaram se esses assuntos foram tratados na reunião. Até o momento, o tribunal divulgou apenas um álbum de fotos do encontro, sem detalhar o que foi debatido ou os eventuais encaminhamentos.

Folha de São Paulo

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