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Libertadores começa com brasileiros em busca de manutenção da hegemonia

Começa nesta semana a fase de grupos da Copa Libertadores, com os sete clubes brasileiros na disputa —Atlético-MG, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Palmeiras e São Paulo— em busca da manutenção da recente hegemonia do país na competição continental.

Desde 2019, apenas clubes brasileiros ficaram com a taça de campeão, com duas conquistas do Flamengo (2019 e 2022) e do Palmeiras (2020 e 2021) e uma do Fluminense (2023).

Foi a primeira vez na história da competição iniciada em 1960 que clubes de um mesmo país venceram a competição cinco vezes seguida. O recorde anterior era de quatro títulos em sequência, alcançado pelo Independiente-ARG nos anos 1970.

O Independiente é o maior vencedor da competição com sete troféus, conquistados entre os anos 1960 e 1980. Em seguida vem o Boca Juniors, com seis títulos. Nenhuma das duas equipes está classificada para a edição de 2024 da Libertadores.

Entre os brasileiros, quatro times entram na disputa deste ano com a possibilidade de se isolar como o maior vencedor do país na competição. São Paulo, Palmeiras, Grêmio e Flamengo –além do Santos– são os maiores detentores de títulos pelo Brasil, com três cada.

Com as vitórias nos últimos cinco anos, o Brasil chegou a 23 títulos da Libertadores, aproximando-se da Argentina, que lidera com 25 taças. Especialistas avaliam que, diante do cenário atual, o país tem chances reais de empatar e ultrapassar a Argentina como maior vencedor do torneio nos próximos anos.

Com a reformulação da Libertadores a partir de 2017, que contou com a saída dos times mexicanos e o aumento no número de vagas para brasileiros e argentinos, era natural uma dominância ainda maior dos dois países mais vencedores, diz Thiago Freitas, diretor da Roc Nation Sports, empresa que administra a carreira de atletas como Vinicius Junior, Endrick e Lucas Paquetá.

Freitas acrescenta que a crise econômica da Argentina e o consequente impacto nas finanças dos clubes abriu caminho para o atual domínio dos times brasileiros. “Onde existe mais dinheiro, se pode pagar mais pelos melhores, e assim seguirá sendo.”

O executivo lembra que, graças ao poderio financeiro, os clubes brasileiros têm cada vez mais capacidade de atrair talentos de países vizinhos. Os três últimos campeões estão novamente presentes na edição deste ano, contando no elenco com uma série de estrangeiros com papel de destaque —Flaco López e Aníbal Moreno (Palmeiras), Rossi, De la Cruz e Arrascaeta (Flamengo) e Germán Cano e Jhon Arias (Fluminense) são apenas alguns deles.

Com a evolução da infraestrutura esportiva brasileira nos últimos anos na esteira de eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, a maioria dos estádios passou por reformas, o que trouxe uma nova fonte de receita para os clubes, diz Fernando Paz, diretor comercial da agência de viagens esportivas Absolut Sport.

“Acabou que isso profissionalizou muito os clubes no Brasil. Por conta dos investimentos, acho muito difícil que, nos próximos cinco anos, a gente não tenha um time brasileiro na final da Copa Libertadores com chance de ser campeão.”

Na primeira rodada da Libertadores, contudo, o domínio recente dos brasileiros pode ser prejudicado pelos estaduais. Quatro times terão de se dividir com a disputa das finais dos respectivos regionais, com alguns deles preservando os titulares na estreia na competição.

Tendo de reverter o placar de 1 a 0 a favor do Santos, Abel Ferreira, do Palmeiras, não descarta poupar alguns dos titulares na estreia do time na Libertadores contra o San Lorenzo nesta quarta-feira (3), às 21h30 (horário de Brasília), em Buenos Aires.

Endrick e Murilo, que estiveram com a seleção brasileira para os amistosos contra Espanha e Inglaterra, podem começar no banco de reservas na Argentina, com Rony e Gustavo Gomés, que volta de lesão, podendo assumir a titularidade.

Vindo de empate contra o Juventude na primeira partida da final do Gaúcho, o Grêmio viaja até La Paz, na Bolívia, para enfrentar o The Strongest nesta terça-feira (2), às 21h. Diante da altitude de 3.600 metros acima do nível do mar e o compromisso pelo título estadual no sábado (6), o técnico Renato Gaúcho optou por uma formação totalmente reserva na estreia do time na Libertadores.

Também tendo empatado o primeiro jogo da final do Mineiro contra o Cruzeiro, o Atlético-MG deve adotar a mesma estratégia e poupar as principais peças contra o Caracas-VEN, na quinta-feira (4), às 19h, fora de casa.

Já o Flamengo deve ser o único time que está nas finais do estadual que irá debutar na Libertadores de 2024 com força máxima. Com uma mão na taça do Carioca após bater o Nova Iguaçu por 3 a 0 no primeiro jogo da final, o time do técnico Tite será o primeiro entre os brasileiros a estrear pela fase de grupos, em confronto contra o Millionarios-COL nesta terça-feira, às 19h, em Bogotá.

Atual campeão, o Fluminense inicia a busca pelo bicampeonato contando com a dupla de ataque formada por Germán Cano e John Kennedy sob o comando do técnico Fernando Diniz, enquanto o São Paulo tenta se recuperar da eliminação para o Novorizontino no Paulista sem saber se poderá contar na primeira rodada com o atacante Calleri, afastado por conta de uma lesão na perna direita.

Único dos brasileiros classificados na edição de 2024 que ainda não venceu a Libertadores, o Botafogo chega embalado após a conquista da Taça Rio em cima do Boavista e das vitórias contra Aurora-BOL e Red Bull Bragantino pela pré-Libertadores que credenciaram o time à fase de grupos.

Confira a seguir os grupos da Copa Libertadores 2024

Grupo A

Fluminense, Alianza Lima-PER, Cerro Porteño-PAR, Colo-Colo-CHI

Grupo B

São Paulo, Talleres-ARG, Cobresal-CHI, Barcelona de Guyaquil-EQU

Grupo C

Grêmio, Estudiantes-ARG, The Strongest-BOL, Huachipato-CHI

Grupo D

Botafogo, LDU-EQU, Junior Barranquilla-COL, Universitario-PER

Grupo E

Flamengo, Bolívar-BOL, Millonarios-COL, Palestino-CHI

Grupo F

Palmeiras, Independiente Del Valle-EQU, San Lorenzo-ARG, Liverpool-URU

Grupo G

Atlético-MG, Peñarol-URU, Rosario Central-ARG, Caracas-VEN

Grupo H

River Plate-ARG, Libertad-PAR, Deportivo Táchira-VEN, Nacional-URU

Folha de São Paulo

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