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Lideranças do agro: quem ganhou e quem perdeu nas urnas



As eleições deste domingo (5/10) deixaram vencedores e derrotados entre as principais lideranças do agronegócio que disputaram vagas no Congresso Nacional. Ex-ministros, dirigentes de entidades e parlamentares ligados ao setor não conseguiram, em alguns casos, renovar seus mandatos ou conquistar uma cadeira, enquanto novos nomes ligados ao agro foram eleitos.
Dois ex-ministros da área agrícola do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiram se reeleger. O senador Carlos Fávaro (PSD-MT), que comandou o Ministério da Agricultura entre janeiro de 2023 e março de 2026, ficou apenas em quarto na corrida pelo Senado em Mato Grosso.
Já Paulo Teixeira (PT-SP), que ficou à frente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar no mesmo período, não conseguiu renovar o mandato de deputado federal por São Paulo.
Nas redes sociais, eles agradeceram aos apoiadores, mas não mencionaram os setores da agricultura familiar e empresarial.
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Em postagem, Fávaro disse que manterá o trabalho por um “Mato Grosso para todos”. Ele teve 411.020 eleitores, 11,5% do total de votos válidos no Estado. Ficou em quarto lugar, atrás de Janaina Riva (MDB), com 14,53%, e dos dois eleitos: o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), com 33,21%, e José Medeiros (PL), com 26,35% dos votos.
Nas eleições deste ano, um dos candidatos a suplente em sua chapa também vinha do agronegócio de Mato Grosso. Era Alexandre Schenkel, ex-presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa).

Número dois no Ministério da Agricultura entre 2023 e 2026, o ex-secretário-executivo Irajá Lacerda (PSD-MT) não conseguiu uma vaga para a Câmara dos Deputados em Mato Grosso. Ele teve 57.887 votos, mas não foi eleito.
Ex-ministro da Agricultura na gestão de Dilma Rousseff e ex-secretário de Política Agrícola da Pasta, Neri Geller (Podemos) recebeu 31.383, mas não alcançou uma das oito vagas diretas no Estado. Ele ficou como suplente.

Carlos Augustin, assessor especial de Fávaro durante a gestão no Ministério da Agricultura, foi candidato a suplente na chapa de Pedro Taques (PSB-MT) ao Senado, que ficou em quinto lugar na disputa em Mato Grosso. Ele rompeu a aliança com o ex-ministro em meio ao processo de sucessão no cargo e se declarou adversário nas urnas.

Outra figura mato-grossense que não conseguiu se eleger foi Nilson Leitão, ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Ele concorreu novamente ao cargo de deputado federal, mas ficou como primeiro suplente.
Ex-presidente da Comissão de Agricultura da Câmara e ex-ministro de Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni (PP) não teve sucesso na corrida por uma vaga de deputado federal no Rio Grande do Sul.

Agricultura familiar
O ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Paulo Teixeira (PT-SP) teve 106.062 votos em São Paulo, mas não foi eleito para um novo mandato de deputado federal. O resultado o deixou como segundo suplente. Em postagem nas redes sociais, o parlamentar disse que a campanha foi “muito politizada e muito combativa”.

O ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto (PT), era candidato a vice-governador do Rio Grande do Sul na chapa de Juliana Brizola (PDT), mas não foi eleito. Lá, Luciano Zucco (PL) foi eleito em primeiro turno.
Patrus Ananias (PT-MG), deputado federal e ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, não conseguiu se eleger governador de Minas Gerais. O pleito foi vencido por Cleitinho (Republicanos).

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), que foi ministro extraordinário para a reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024, também deixará o Congresso Nacional em 2027. Ele tentou uma vaga no Senado, mas foi derrotado para candidatos da direita. Atualmente, o parlamentar é relator da Medida Provisória 1.376/2026, que trata da renegociação de dívidas dos produtores rurais.

O relatório, apresentado na última semana de campanha, desconsiderou emendas apresentadas pela oposição e não agradou a base de produtores. O movimento influenciou na posição adotada pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), de declarar apoio oficial a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida pelo Palácio do Planalto contra Lula.

A agricultura familiar também teve outras baixas na sua representatividade atual no Congresso Nacional. O deputado federal Heitor Schuch (PSD-RS), uma das principais vozes do segmento na Câmara, não foi reeleito no Rio Grande do Sul, apesar dos 68,8 mil votos.
Zé Silva (União-MG), que lidera pautas como a defesa da assistência técnica para pequenos produtores rurais, também não se reelegeu.

Lideranças derrotadas
Algumas lideranças do setor agropecuário tentaram um cargo no Congresso Nacional nesse domingo (5/10), mas sem sucesso. Maurício Buffon (PL-TO) se licenciou da presidência da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) para concorrer ao cargo de deputado federal pelo Tocantins. Ele recebeu mais de 16,3 mil votos, mas não se elegeu. Ele ficará como suplente.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja Brasil, participou da disputa ao Senado por Mato Grosso, mas ficou em sexto lugar, com mais de 169,2 mil votos.

Arlei Romeiro (PSDB-RS) foi candidato à Câmara Federal, mas não se elegeu. Ele dirige a Associação dos Produtores e Empresários Rurais (Aper), entidade criada recentemente durante as discussões sobre a renegociação de dívidas rurais do setor gaúcho.

Grazi do Agro (PL) e Luciane Agazzi (União-RS), que também atuaram à frente de entidades gaúchas nos debates para a renegociação de dívidas, tentaram vagas na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e não conseguiram.

Quem se deu bem
Três deputados federais que representam o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram reeleitos: Valmir Assunção (PT-BA), Marcon (PT-RS) e João Daniel (PT-SE). Além deles, Rosa Amorim (PT-PE), que era deputada estadual, será a “primeira mulher sem-terra a chegar à Câmara dos Deputados em Brasília”, disse o grupo, em nota.

O ex-secretário de Agricultura de São Paulo e produtor rural Guilherme Piai foi eleito deputado federal pelo Estado. Thiago Boava (PL) é outro personagem ligado ao agronegócio eleito para a Câmara dos Deputados por Mato Grosso.

Gracinha Caiado (União-GO), ex-primeira dama de Goiás, foi eleita para o Senado e pode dar continuidade à defesa do setor feita historicamente pelo marido, Ronaldo Caiado, candidato do PSD para a Presidência da República, derrotado no domingo (4/10).
Já entre os integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) que tentaram a reeleição, mais de 70% saíram vitoriosos das urnas. O atual presidente Pedro Lupion (Republicanos-PR) foi reeleito com 190,8 mil votos, o 11º deputado mais votado do Paraná.
O ex-presidente e coordenador institucional da FPA na Câmara, Alceu Moreira (MDB-RS), foi reeleito com mais de 207 mil votos. Zé Vitor, coordenador político na Câmara conseguiu mais um mandato com mais de 145 mil votos.
Nomes atuantes da FPA na pauta do Congresso também foram reeleitos, como Sérgio Souza (MDB-PR), Tião Medeiros (PP-PR), Coronel Fernanda (PL-MT), Pezenti (MDB-SC), Rodolfo Nogueira (PL-MS), Greyce Elias (PL-MG) e Afonso Hamm (PP-RS).


Globo Rural

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