Saúde

Líderes do G7 pedem resposta forte ao surto de Ebola, que pode durar mais um ano

A epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) pode durar mais um ano e ainda não atingiu seu pico, afirmou nesta terça-feira (16) Bruno Michon, chefe de operações da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV).

“Tememos que essa epidemia dure ainda mais um ano antes de chegar ao fim”, declarou Michon, em entrevista coletiva. Segundo ele, há uma “grave falta de capacidade de diagnóstico”, o que torna “muito difícil saber exatamente até que ponto a epidemia está se espalhando”.

Ainda nesta terça (16), os líderes do G7, grupo dos sete países mais ricos do mundo, pediram uma resposta forte e coordenada ao surto de Ebola no país africano, instando outras nações a dedicarem recursos em uma tentativa de garantir que o vírus permaneça contido na menor área possível.

“Continuamos monitorando de perto a situação à medida que ela evolui, junto com nossos parceiros, para garantir que esse vírus perigoso não se espalhe, inclusive através das fronteiras”, disseram em comunicado.

A RDC declarou em 15 de maio um surto de ebola, o 17º registrado no país, e a OMS (Organização Mundial de Saúde) ativou o alerta sanitário internacional dois dias depois. O surto também chegou à vizinha Uganda, onde foram confirmados 19 casos, incluindo duas mortes.

Os Estados Unidos afirmaram nesta terça (16) que já comprometeu mais de US$ 700 milhões (R$ 3,5 bilhões) e pediu que outros países também ajudem. Os valores incluem financiamento direto aos países afetados e atendimento às necessidades humanitárias mais amplas.

“Precisamos de uma resposta agressiva agora”, disse Jeff Graham, funcionário sênior do Escritório de Segurança e Diplomacia em Saúde Global, em uma reunião virtual de chefes de Estado africanos, sediada pelo Burundi.

A China intensificou o monitoramento do vírus com um plano revisado de prevenção e controle para a epidemia, exigindo que contatos próximos de casos de Ebola passem por rastreamento e observação médica em quarentena por 21 dias.

Além disso, instituições médicas e alfândegas do país asiático devem reportar casos suspeitos e confirmados por meio de um sistema online em até duas horas. O plano vai incluir notificações de organizações internacionais, detecção por meio de instituições de testes laboratoriais domésticas e monitoramento de águas residuais de aeronaves.

Não existe vacina nem tratamento aprovado contra a rara cepa Bundibugyo, responsável pela epidemia. Segundo a OMS, com base em dados das autoridades congolesas, foram registrados 808 casos e 192 mortes, taxa de letalidade de 24%.

Para Michon, conter a epidemia exige investir também na confiança da população e no acesso ao terreno. “Sem confiança, não podemos detectar os casos a tempo”, concluiu.

A velocidade da disseminação levou a OMS a declarar uma emergência de saúde pública de importância internacional.

O vírus causou mais de 15 mil mortes na África nos últimos 50 anos e permanece uma ameaça devido à sua alta letalidade e à dificuldade de contenção em regiões com sistemas de saúde fragilizados.

O ebola é uma doença viral grave, anteriormente chamada de febre hemorrágica ebola, causada por vírus da família Filoviridae, do gênero Ebolavirus.

A cepa Bundibugyo provocou duas epidemias: uma em Uganda, em 2007; e outra na República Democrática do Congo, em 2012. A taxa de mortalidade ficou entre 30% e 50%.

Informação

Folha de São Paulo

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