Saúde

Livro reúne dicas de como apimentar o sexo na terceira idade sem tabus

Existe desejo e erotismo no amor de cabelos brancos? “Sim” é a resposta simples e direta. Mas ela também é chocante para quem considera impensável que seus pais ou avós tenham vida sexual.

A aposentadoria não inclui o fim de atividades na cama. No entanto, a vida sexual de pessoas seniores é tabu —às vezes, para elas mesmas.

Desmistificar o prazer sexual de quem chegou à terceira ou quarta idade é o que faz o livro “Sexo aos 60, 70, 80, 90″, da jornalista francesa Roselyne Madelénat, publicado no Brasil pela editora Degustar.

Especialista em sexologia, psicologia e bem-estar, Madelénat trata do tema de maneira explícita e bem-humorada, ora com informações específicas sobre o sexo sênior, ora com dicas universais, aplicáveis a todas as idades. E sempre com ênfase nas mulheres e em relações heteronormativas, o que não impede que os conselhos sejam aplicados a outras orientações sexuais.

Há descrições detalhadas de massagens em todas as partes do corpo. Há um “Kama Sutra” da terceira idade, com posições menos desafiadoras para corpos de 60 ou mais anos, e um catálogo de posições que permitem evidenciar certas partes do corpo e esconder outras. “Nada a impede de imaginar outras posições dependendo de seus gostos e do estado de suas articulações”, brinca ela no texto.

O livro traz também uma caça ao tesouro do ponto G para empreitadas solo ou em parceria. Elenca um conjunto de regras de ouro para uma felação bem-sucedida, e um passo a passo para formar um perito em cunilíngua. Afinal, nesta fase da vida, não há tempo a perder.

Madelénat afirma que a longevidade sexual aumenta na mesma proporção da expectativa de vida, e que é possível ser sexy em qualquer idade. Soma-se a isso o fato de os idosos de hoje terem sido os jovens da geração que viveu a liberação sexual do final dos anos 1960.

Como esperar que esses hoje sexagenários “renunciem ao que quer que seja de seus desejos, de suas liberdades e de seus prazeres?”, questiona a autora.

Ao mesmo tempo, as limitações físicas, mentais e morais de quem fez a travessia para a maturidade apresentam desafios, e é preciso mudar de paradigmas. O principal deles, aponta Madelénat, é se desprender do desempenho.

Segundo a autora, comparar a performance sexual depois dos 60 àquela dos 20 anos é a receita do fracasso. Ao mesmo tempo, é importante saber que o sexo pode ser tão ou até mais mais prazeroso que aquele de décadas atrás.

Depoimentos ao longo do livro são testemunhos disso. Depois dos 60, Alice, 70, descobriu o prazer dos brinquedos sexuais; Monique, 67, finalmente conheceu o orgasmo clitoriano; e Francisca, 63, se entregou a práticas sadomasoquistas. “Descobri que a sexualidade não termina nunca, desde que se queira mantê-la, é claro”, explica ela, em seu depoimento.

O desejo de manter a vida sexual ativa é o ponto de partida. Madelénat explora os perrengues do percurso pedregoso rumo ao clímax dos sexagenários, que a autora chama de “sua última revolução”.

No caso dos homens, a jornalista aborda problemas como o pesadelo da disfunção erétil e todos os recursos disponíveis para combatê-la, desde que haja disposição para assumir o problema e enfrentá-lo com ajuda médica.

No caso delas, Madelénat mergulha em questões clássicas ligadas à menopausa, como secura vaginal, incontinência urinária e ganho de peso, com seus respectivos remédios, que vão da reposição hormonal à fisioterapia para o assoalho pélvico, passando pelo uso de lubrificantes –cuja aplicação, diz ela, é uma ótima oportunidade de receber carícias preliminares.

Já as estratégias para lidar com a perda da libido no contexto de relacionamentos longevos são mais complexos e requerem dedicação.

“Nada é mais frágil do que o desejo, sobretudo se partilhamos o mesmo teto. Não há receita milagrosa, mas colocar-se em condição para manter a chama mágica não é o pior conselho que você pode receber”, escreve.

Colocar-se em condição, segundo o livro, envolve erotizar os comportamentos e deixar-se seduzir por eles, fazer compras de brinquedos sexuais em casal e produzir noites especiais a dois (ou três ou quatro!). E se abrir para mudanças de atitude que podem reavivar a intimidade na cama. “O desejo tem necessidade de humor, do imprevisível, de novas imagens”, decreta.

Madelénat descreve os mais populares brinquedos sexuais dedicados ao prazer dela, dele ou do casal. E trata das fantasias às quais se pode lançar mão para turbinar a experiência e o prazer.

Dominar os medos, a timidez e os complexos é pré-requisito para liberar a imaginação e desbravar novas possibilidades, como no caso daqueles que querem se aventurar nos sites de encontros sexuais para seniores. Para esses, a autora apresenta regras de segurança, inclusive contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), diante do aumento dos casos de Aids entre os jovens e entre os seniores.

A socióloga francesa cunhou o termo “sexygenários”. Depois de revolucionarem comportamentos e reverterem repressões ao longo da vida, são eles que escancaram, agora, que os jovens não têm o monopólio do desejo.

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Informação

Folha de São Paulo

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