Política

Livros de política de 2023

Um dos maiores cientistas políticos brasileiros escreveu um livro dirigido ao grande público. Em “Operação Impeachment: Dilma e o Brasil da Lava Jato”, Fernando Limongi mostrou que o impeachment de 2016, ocorrido no auge da influência da Lava Jato, foi, na verdade, uma reação do sistema político contra a operação.

Os dez anos dos protestos de junho de 2013 geraram ótimos livros. Em “Treze: A Política de Rua de Lula a Dilma”, Angela Alonso situou os protestos de junho de 2013 no contexto de uma onda mais ampla de mobilização social, que desde o início incluiu protestos conservadores. Em “A Razão dos Centavos: Crise Urbana, Vida Democrática e as Revoltas de 2013”, Roberto Andrés contou a história da luta pelo passe livre, que recentemente obteve êxitos surpreendentes.

Em “Como a China Escapou da Terapia de Choque”, Isabella Weber reconstruiu os debates que deram origem à estratégia gradualista que a China adotou para se tornar uma economia de mercado.

Em “Salazar e os Fascismos”, Fernando Rosas comparou diferenças e semelhanças entre o fascismo português e seus similares europeus, com destaque para as alianças entre fascismo popular e o conservadorismo de elite.

Em “Como Salvar a Democracia”, Steven Levitsky e Daniel Ziblatt mostraram como as instituições americanas, se não forem reformadas, podem favorecer a erosão democrática e transformar a democracia americana em um governo da minoria.

Em “O Supremo entre o Direito e a Política”, Diego Werneck Arguelhes apresentou os principais debates sobre o STF, sua relação com a política, e as maneiras pelas quais ele poderia funcionar melhor.

Em “O Discreto Charme da Magistocracia”, Conrado Hübner Mendes mostrou que defeitos de nosso Judiciário o tornaram um alvo fácil quando o bolsonarismo lançou sua ofensiva contra a democracia.

Em “O Tribunal”, Felipe Recondo e Luiz Weber contaram a história da resistência do STF contra o golpismo de Bolsonaro, e como, no decorrer dessas lutas, os ministros superaram alguns dos vícios antes apontados por seus críticos.

Em “Biografia do Abismo”, Felipe Nunes e Thomas Traumann alertaram, com base em pesquisas quantitativas e qualitativas, para o risco da polarização política dos últimos anos se tornar um traço permanente da política brasileira.

Em “O Girassol que nos Tinge”, Oscar Pilagallo contou a história do movimento Diretas Já!, que ajudou a abrir fissuras em uma transição democrática conduzida pelo alto.

Em “Amazônia na Encruzilhada”, Miriam Leitão ofereceu um quadro amplo da luta pela preservação da Amazônia, os sucessos da Nova República, os fracassos de Bolsonaro, e os desafios para preservar nosso maior patrimônio ecológico em um momento em que desmatamento e crime estão cada vez mais ligados.

“Números da Discriminação Racial”, organizado por Michael França e Alysson Portella, é uma ótima coleção de estudos econômicos sobre a desigualdade racial no Brasil. Deve servir de ponto de partida para muitos debates futuros sobre o tema.

Marcelo Medeiros é um dos maiores especialistas em desigualdade brasileira. Em “Os Ricos e os Pobres”, mostrou, de forma acessível ao grande público, que os números da desigualdade brasileira assustam mesmo quem já sabe que ela é grande; e que será necessário um amplo repertório de estratégias para reduzi-la. É o livro do ano.

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Folha de São Paulo

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