Política

Lula desfila com aliado, ouve vaias e é festejado em cortejo da Independência na Bahia

Eram 10h da manhã quando o presidente Lula (PT) deixou a Igreja de Nossa Senhora da Solenidade para participar do cortejo do 2 de Julho, que celebra o fim da guerra de independência do Brasil na Bahia.

A primeira parte da solenidade oficial da festa já havia ficado para trás: bandeiras foram hasteadas, flores depositadas no busto do general Pierre Labatut e os carros com as imagens do caboclo e da cabocla, símbolos da participação popular na guerra pela independência, já estavam longe.

Sob forte esquema de segurança, Lula subiu em uma camionete e percorreu as ruas e ladeiras do centro antigo de Salvador em clima de campanha eleitoral, com uma disputa entre vaias e aplausos durante o trajeto.

Como numa carreata, o petista veio acompanhado da chapa completa de aliados que terão o seu apoio em Salvador: o vice-governador Geraldo Júnior (MDB), pré-candidato a prefeito, e a sua candidata a vice, a petista Fabya Reis.

Ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT), percorreram um trajeto de cerca de um quilômetro em 40 minutos. O presidente deixou o cortejo antes do ponto final do trajeto, que vai até o Terreiro de Jesus, no Pelourinho.

Lula vestiu um turbante do afoxé Filhos de Gandhy, acenou para apoiadores e cumprimentou alguns deles, que conseguiram ultrapassar o cordão de segurança e se aproximar do presidente. Não discursou nem deu entrevistas.

Na maior parte do trajeto, o petista foi aplaudido e celebrado por grupos de apoiadores. Mas desta vez, ao contrário do ano passado, também ouviu vaias que partiram de aliados do prefeito Bruno Reis (União Brasil).

Bruno Reis e Geraldo Júnior devem polarizar a disputa eleitoral de Salvador, replicando na capital a divisão entre os dois principais grupos políticos do estado, liderados pelo PT e União Brasil.

Aliados celebraram a presença de Lula como fundamental para alavancar a candidatura do aliado e mobilizar a militância. A escolha de Geraldo Júnior, que até 2022 era aliado do prefeito, gerou resistências dentro da base petista, que preferia uma candidatura orgânica de um nome de esquerda.

Para minimizar as resistências, o grupo liderado pelo PT tem apostado em uma estratégia de nacionalizar a eleição municipal, buscando associar Reis, que firmou aliança com o PL, ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Aqui em Salvador está polarizado. Bruno Reis é o candidato do ex-presidente Jair Bolsonaro. E eu e Fabya somos apoiados por Lula e Jerônimo. Isso está definido”, afirmou Geraldo Júnior.

O senador Jaques Wagner (PT), um dos principais articuladores da candidatura, também celebrou a vinda de Lula. “Ele veio para comemorar o 2 de Julho e fazer entregas de obras. Mas é óbvio que o vento que ele traz é um vento bom para a candidatura de Geraldo.”

O prefeito, que não encontrou Lula e percorreu o cortejo ao lado de aliados políticos, minimizou o clima de campanha eleitoral e celebrou a presença do presidente na festa cívica da Bahia.

“Sempre é motivo de alegria ter o presidente aqui nesta data. Mas não altera nada a nossa vida e o nosso percurso”, disse Reis, minimizando o impacto da influência nacional na eleição local.

Em um tom menos diplomático que o do prefeito, o vice-presidente nacional da União Brasil, ACM Neto, criticou o clima eleitoral da participação do presidente no cortejo do 2 de Julho.

“Não é hora de se estar fazendo eleição. A hora é de trabalhar pelo país, e o presidente claramente está em palanque fazendo campanha política. Enquanto isso, o dólar está pipocando, a taxa de juros não cai e volta uma ameaça inflacionária”, disse.

A despeito de a União Brasil fazer parte da base do presidente, a expectativa dos petistas é que Lula se engaje na campanha do aliado. Até o momento, contudo, o presidente vem adotando uma postura mais cautelosa em Salvador, em contraste com o apoio mais aberto adotada em cidades como São Paulo.

Esta é a terceira vez consecutiva que Lula participa do cortejo do 2 de Julho em Salvador. Em 2022, a festa teve a presença dos principais candidatos a Presidência, incluindo Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB). Naquele ano, Bolsonaro veio a Salvador, mas participou de uma motociata com apoiadores.

Folha de São Paulo

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