Política

Lula se queixa a aliados de ministro da Justiça, mas descarta troca no momento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se queixado nos bastidores do que vê como inoperância do ministro da Justiça, Wellington Silva, em meio a uma crise de proporções inéditas que envolve Supremo Tribunal Federal, Procuradoria-Geral da República e Polícia Federal.

Tradicionalmente, a pasta comandada por Silva é a responsável por fazer a interlocução do governo com órgãos de justiça.

Segundo um representante do governo que acompanha o tema, Lula avalia que Silva “tem que sair debaixo da mesa”, no sentido de que precisa servir como um anteparo ao presidente na atual crise.

Em reuniões recentes, o presidente fez referências a dois influentes ex-ministros de seus governos, o que foi interpretado como uma mistura de desabafo e recado ao atual ocupante da pasta, que seria discreto demais.

Ele citou Márcio Thomaz Bastos, ministro em seu primeiro mandato (2003-07), durante reunião na semana passada sobre decretos presidenciais e nesta semana sobre a revogação da “taxa das blusinhas”.

Bastos, que foi um dos mais importantes conselheiros do petista, foi mencionado no contexto da necessidade de se fazer uma nova reforma do Judiciário. A primeira foi conduzida pelo ex-ministro, morto em 2014.

Lula também mencionou em uma postagem Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça de 2024 a 2026, ao defender a revogação do sigilo dos inquéritos do caso Master.

Outro foco de insatisfação do Planalto, segundo uma fonte, é a relutância de Silva em defender o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que chegou a ser afastado do cargo por ordem do ministro André Mendonça e foi restituído no dia seguinte pelo colega Flávio Dino.

O ministro tem evitado dar respaldo enfático a Andrei, que formalmente é seu subordinado, mas na prática goza de grande prestígio com Lula.

Apesar das queixas do presidente, o ministro não deve ser substituído em meio à campanha eleitoral. Lula tem estima pessoal por Silva desde que ele trabalhava numa função de assessoria jurídica no Palácio do Planalto.

As apostas, no entanto, são de que ele não permanecerá em um eventual novo mandato de Lula. O presidente busca um perfil mais atuante politicamente para uma tarefa que considera inevitável, a reforma do Judiciário.


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Folha de São Paulo

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